Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2021
Paciente no pós-operatório de retossigmoidectomia por adenocarcinoma de reto alto, apresenta no 1o dia de pós-operatório pico febril isolado de 37,8°C, porém, sem dispneia ou taquicard ia importante. Qual a principal hipótese para causa do aumento da temperatura?
Febre isolada 1º PO sem dispneia/taquicardia importante → Atelectasia (mais comum).
A atelectasia é a causa mais comum de febre no primeiro dia de pós-operatório, especialmente após cirurgias abdominais. Ocorre devido à hipoventilação e acúmulo de secreções, levando ao colapso alveolar. Outras causas infecciosas geralmente se manifestam mais tardiamente.
A febre no pós-operatório é uma ocorrência comum e seu diagnóstico diferencial depende, em grande parte, do tempo de surgimento após a cirurgia. No primeiro dia de pós-operatório, como no caso de um paciente submetido a retossigmoidectomia, a causa mais frequente de febre isolada e de baixo grau (até 38°C) é a atelectasia. Esta condição é caracterizada pelo colapso de alvéolos pulmonares devido à hipoventilação, dor, uso de opioides e acúmulo de secreções, sendo mais comum após cirurgias abdominais. A atelectasia geralmente se manifesta sem sinais importantes de dispneia ou taquicardia, distinguindo-se de outras causas infecciosas mais graves. Pneumonia, por exemplo, embora também pulmonar, costuma surgir mais tardiamente (a partir do 3º dia) e com sintomas respiratórios mais proeminentes, como tosse produtiva, dispneia significativa e infiltrados radiográficos. Infecções da ferida operatória e fístulas anastomóticas também são causas de febre, mas tipicamente se apresentam após o 3º-5º dia de pós-operatório, com sinais localizados de inflamação ou sepse. O manejo da febre pós-operatória precoce, quando a atelectasia é a principal suspeita, envolve medidas de fisioterapia respiratória, incentivo à deambulação e respiração profunda. A investigação de outras causas deve ser direcionada pela persistência da febre, elevação de marcadores inflamatórios ou surgimento de novos sintomas. A compreensão do cronograma de surgimento das complicações é crucial para um diagnóstico e tratamento eficazes, otimizando a recuperação do paciente.
Além da febre baixa, a atelectasia pode apresentar taquipneia leve, diminuição dos murmúrios vesiculares na área afetada e, em casos mais graves, hipoxemia. Geralmente não há dispneia ou taquicardia importantes no 1º dia.
A prevenção inclui mobilização precoce, deambulação, fisioterapia respiratória, incentivo à tosse e respiração profunda, e uso de espirômetro de incentivo.
Infecção da ferida operatória geralmente se manifesta a partir do 3º-5º dia. Fístulas anastomóticas e pneumonias tendem a ocorrer a partir do 3º dia, com sinais mais sistêmicos e específicos (dor, secreção, dispneia, tosse produtiva).
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