HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2021
Paciente 53 anos, ASA 2, no 2º dia pós-operatório de gastrectomia subtotal por laparotomia devido a tumor gástrico (cirurgia realizada sem intercorrências), se encontra na UTI clinicamente estável e ainda não saiu do leito. Evolui com episódio febril aferido de 37,8°C. Qual a principal hipótese de causa da febre?
Febre no 2º dia pós-operatório (sem mobilização) → pensar em atelectasia, especialmente após cirurgia abdominal.
A atelectasia é uma causa comum de febre nas primeiras 48-72 horas pós-operatórias, especialmente após cirurgias abdominais e em pacientes com mobilidade restrita. A hipoventilação e a retenção de secreções levam ao colapso alveolar e subsequente febre de baixo grau.
A febre pós-operatória é uma ocorrência comum e pode ter diversas causas, variando conforme o tempo decorrido desde a cirurgia. No período pós-operatório imediato, especialmente nas primeiras 48-72 horas, as causas não infecciosas são mais prevalentes, e a atelectasia pulmonar é a principal delas. Atelectasia ocorre devido à hipoventilação, acúmulo de secreções e compressão pulmonar, levando ao colapso de alvéolos e bronquíolos. Pacientes submetidos a cirurgias abdominais, que permanecem restritos ao leito e com dor que limita a respiração profunda, são particularmente suscetíveis. A febre associada à atelectasia é geralmente de baixo grau (até 38,5°C) e responde bem à fisioterapia respiratória e mobilização. Outras causas infecciosas, como infecção de ferida operatória, infecção de cateter central ou fístula anastomótica, tendem a se manifestar mais tardiamente, geralmente a partir do 3º-5º dia pós-operatório, com febre mais alta e sinais inflamatórios ou sistêmicos mais evidentes. Portanto, no 2º dia pós-operatório, a atelectasia deve ser a principal hipótese diagnóstica a ser investigada e tratada.
As principais causas de febre nas primeiras 48 horas pós-operatórias são atelectasia pulmonar, resposta inflamatória sistêmica à cirurgia, desidratação e, menos comumente, reações transfusionais ou febre medicamentosa. Infecções geralmente surgem mais tardiamente.
A atelectasia é caracterizada por febre de baixo grau, taquipneia, diminuição dos murmúrios vesiculares e crepitantes na base pulmonar. Infecções como pneumonia ou infecção de ferida operatória tendem a causar febre mais alta e sinais localizados, geralmente após 72 horas. Exames de imagem (radiografia de tórax) podem confirmar a atelectasia.
A prevenção inclui deambulação precoce, fisioterapia respiratória, uso de espirômetro de incentivo, tosse e respiração profunda. O tratamento envolve as mesmas medidas, além de broncodilatadores se houver broncoespasmo, e, em casos graves, aspiração de secreções.
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