HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2025
João, 65 anos, foi submetido a laparotomia+ apendicectomia por apendicite aguda fase 4. Na chegada apresentava 5 dias de história de dor abdominal intensa localizada no quadrante inferior direito do abdome. A cirurgia foi demorada devido ás aderências secundárias ao bloqueio local do processo infeccioso e o paciente já apresentava coleção em toda a cavidade. No 2 pós operatório foi avaliado hemograma completo realizado no dia anterior e paciente iniciou bicos febris. Apesar disso já aceitou dieta liquida e eliminou flatos. Ao exame: ausculta pulmonar normal, sem sintomas urinários, ferida operatória limpa e seca. Qual a conduta neste momento?
Febre baixa 2º PO de cirurgia abdominal complexa, com melhora clínica → otimizar analgesia, deambulação, observar.
Febre no pós-operatório imediato (até 48-72h) de cirurgias abdominais complexas, especialmente em idosos, pode ser reacional ou devido a atelectasias, sem necessariamente indicar infecção grave. A melhora clínica geral (aceitação de dieta, eliminação de flatos) sugere que a conduta inicial deve ser conservadora, focando em medidas de suporte e observação.
A febre no pós-operatório é um achado comum e nem sempre indica uma complicação infecciosa grave. Em pacientes submetidos a cirurgias abdominais complexas, como a apendicectomia por apendicite fase 4, a resposta inflamatória sistêmica e a atelectasia pulmonar são causas frequentes de febre nos primeiros dias. É fundamental avaliar o quadro clínico geral do paciente, buscando sinais de melhora ou piora. A conduta inicial diante de bicos febris em um paciente com melhora clínica geral (aceitando dieta, eliminando flatos) deve ser conservadora. Medidas como otimização da analgesia, que permite uma melhor mobilização, e estímulo à deambulação precoce são essenciais. A deambulação ajuda a expandir os pulmões, prevenindo atelectasias, e estimula o peristaltismo intestinal. A investigação mais aprofundada com exames laboratoriais e de imagem, ou o escalonamento da antibioticoterapia, deve ser reservada para casos de febre persistente, alta, ou associada a sinais de deterioração clínica, como taquicardia, hipotensão, oligúria, ou sinais localizados de infecção (ex: dor abdominal localizada, secreção na ferida). A relaparotomia é uma medida extrema e só indicada em casos de suspeita forte de complicação cirúrgica grave, como deiscência de anastomose ou abscesso não drenável.
As causas mais comuns de febre no 2º dia pós-operatório incluem atelectasia pulmonar, reações inflamatórias sistêmicas à cirurgia, desidratação e, menos frequentemente, infecções precoces como infecção do sítio cirúrgico ou pneumonia.
A preocupação aumenta com febre alta e persistente, sinais de deterioração clínica (taquicardia, hipotensão, oligúria), sinais localizados de infecção (dor, eritema, secreção) ou ausência de melhora geral do paciente.
A deambulação precoce é crucial para prevenir complicações como atelectasias, trombose venosa profunda e íleo paralítico, além de promover o bem-estar geral do paciente e acelerar a recuperação.
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