Febre Pós-Operatória: Diagnóstico e Manejo de Complicações

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

OLM,sexo feminino, 64 anos de idade, foi submetida a gastrectomia total para tratamento de um adenocarcinoma gástrico. No quinto dia pós-operatório evoluiu com leucocitose e febre de 38,5º C. Assinale a alternativa ERRADA no que se refere à ocorrência de febre e complicações pós-operatórias:

Alternativas

  1. A) A atelectasia constitui a causa mais comum de febre nas primeiras 48 horas de pósoperatório, sendo mais frequente em pacientes submetidos a anestesia geral e quando realizadas incisões abdominais altas
  2. B) A febre da peritonite secundária à fístula geralmente ocorre até o quarto dia pósoperatório, não sendo frequente o aparecimento de alterações sistêmicas, como taquicardia e leucocitose
  3. C) A pneumonia pós-operatória acarreta mortalidade elevada, sendo diagnosticada comumente por volta do 4ºdia pós-operatório, e sendo uma das principais causas de morte por infecção hospitalar
  4. D) O principal mecanismo desencadeador da febre, em resposta aos pirogênios exógenos pode ocorrer por intermédio da produção pelos leucócitos de interleucinas, fator de necrose tumoral e interferon

Pérola Clínica

Peritonite por fístula pós-operatória cursa com febre + sinais sistêmicos (taquicardia, leucocitose), NÃO ausência deles.

Resumo-Chave

A peritonite secundária a uma fístula anastomótica é uma complicação grave que cursa com febre e, invariavelmente, com sinais sistêmicos de resposta inflamatória, como taquicardia, leucocitose e instabilidade hemodinâmica. A ausência desses sinais seria atípica para uma condição tão séria.

Contexto Educacional

A febre pós-operatória é uma ocorrência comum, mas que sempre exige investigação para descartar complicações graves. O momento de aparecimento da febre e os sintomas associados são cruciais para o diagnóstico diferencial. Nas primeiras 48 horas, a atelectasia pulmonar é a causa mais frequente, especialmente em cirurgias abdominais altas e sob anestesia geral, devido à hipoventilação e acúmulo de secreções. Complicações infecciosas mais graves, como pneumonia pós-operatória e peritonite secundária a fístulas anastomóticas, tendem a se manifestar mais tardiamente, geralmente a partir do 3º ou 4º dia de pós-operatório. A pneumonia é uma causa significativa de morbimortalidade, enquanto a peritonite por fístula é uma emergência cirúrgica. Ambas cursam com febre e sinais sistêmicos de resposta inflamatória, como taquicardia, leucocitose e, em casos graves, instabilidade hemodinâmica. A ausência desses sinais em uma peritonite seria altamente improvável. Para residentes, é fundamental reconhecer o padrão temporal da febre e correlacioná-lo com as possíveis complicações. Uma febre persistente ou que surge tardiamente, especialmente se acompanhada de sinais de sepse (taquicardia, leucocitose, hipotensão), deve levantar um alto índice de suspeita para infecções graves e exigir uma investigação diagnóstica e intervenção terapêutica rápidas para evitar desfechos desfavoráveis.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de febre nas primeiras 48 horas de pós-operatório?

A causa mais comum de febre nas primeiras 48 horas é a atelectasia pulmonar, especialmente após anestesia geral e cirurgias abdominais altas, devido à redução da ventilação e acúmulo de secreções.

Como diferenciar a febre de atelectasia da febre de peritonite pós-operatória?

A febre por atelectasia é precoce (até 48h) e geralmente sem sinais sistêmicos graves. A febre por peritonite é mais tardia (após 3-4 dias), acompanhada de dor abdominal intensa, defesa, taquicardia, leucocitose e instabilidade hemodinâmica.

Qual o mecanismo fisiopatológico da febre em infecções?

Em infecções, pirogênios exógenos (componentes bacterianos) ou endógenos (liberados por leucócitos, como IL-1, TNF-alfa, IL-6) atuam no hipotálamo, elevando o ponto de ajuste térmico e desencadeando a resposta febril.

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