Febre no Pós-Operatório: Causas e Cronologia

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022

Enunciado

Um paciente de 23 anos de idade foi encaminhado à emergência com história de dor abdominal que migrou para a fossa ilíaca direita há dois dias. Ele queixa-se de náuseas, vômitos e dificuldade para se alimentar, nega febre e 1 episódio de fezes amolecidas no período. Ao exame físico, apresenta-se afebril, FC = 82 bpm, FR =18 irpm e SatO2 = 98%. Ao exame abdominal, apresenta dor à palpação de todo abdome e dor à descompressão brusca de fossa ilíaca direita. Os exames laboratoriais apresenta leucocitose, sem desvio. Acerca desse caso clínico e com base nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.Em caso de febre no 2- PO desse paciente, deve-se pensar, como causa mais comum, a infecção da ferida operatória, que deve ser tratada com drenagem da FO e (ou) antibioticoterapia.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Febre precoce (<48h PO) → Resposta metabólica ao trauma; ISC → Geralmente após 3-5 dias.

Resumo-Chave

A febre nas primeiras 48 horas de pós-operatório costuma ser decorrente da resposta inflamatória sistêmica ao trauma cirúrgico ou atelectasia, não de infecção da ferida.

Contexto Educacional

A avaliação da febre pós-operatória exige conhecimento da cronologia das complicações. Dividimos didaticamente em imediata (horas), precoce (até 3 dias), tardia (4 a 30 dias) e muito tardia (após 30 dias). A infecção de sítio cirúrgico (ISC) é uma das complicações mais temidas, mas seu desenvolvimento requer tempo para colonização e proliferação bacteriana, raramente ocorrendo antes de 72 horas. O entendimento da resposta endócrino-metabólica ao trauma é essencial para evitar intervenções desnecessárias e iatrogênicas.

Perguntas Frequentes

Quais as principais causas de febre nas primeiras 48h de PO?

Nas primeiras 48 horas, a causa mais comum é a resposta metabólica ao trauma cirúrgico, mediada por citocinas inflamatórias como IL-1, IL-6 e TNF-alfa. Outra causa frequente é a atelectasia pulmonar, embora sua relação causal direta com a febre seja debatida, ela permanece como um diagnóstico diferencial importante no manejo respiratório pós-cirúrgico.

Quando suspeitar de infecção de sítio cirúrgico (ISC)?

A ISC geralmente se manifesta entre o 3º e o 7º dia pós-operatório. Os sinais incluem eritema, calor, dor localizada, edema e drenagem de secreção purulenta pela ferida. Febres muito precoces (menos de 24h) associadas a sinais graves de infecção de ferida podem sugerir infecções necrotizantes por Streptococcus pyogenes ou Clostridium spp.

Qual a conduta diante de uma febre no 2º dia pós-operatório?

A conduta inicial deve ser expectante e de suporte, focando em fisioterapia respiratória e deambulação precoce para tratar possíveis atelectasias. Não se deve drenar a ferida ou iniciar antibióticos empiricamente sem sinais clínicos de infecção local, pois a febre isolada nesse período raramente representa uma complicação infecciosa bacteriana que exija tal intervenção.

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