HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023
Mulher de 30 anos de idade, submetida a colecistectomia videolaparoscópica eletiva por colelitíase sintomática. O procedimento ocorreu sem intercorrências. No primeiro dia pós-operatório, a paciente apresentou temperatura de 37,8ºC. Aceitou dieta oral, deambulou e apresentou diurese sem alterações. Ao exame físico, apresenta sinais vitais normais e encontra-se em bom estado geral, corada, anictérica, afebril, eupneica. O exame cardiopulmonar está normal. Abdome plano, com ruídos hidroaéreos presentes, flácido, doloroso à palpação peri-incisões dos trocartes. Ausência de abaulamentos em feridas operatórias. Membros inferiores indolores e sem edemas. Qual é a conduta para esta paciente?
Febre baixa (<38.5°C) POD1 pós-cirurgia laparoscópica sem outros sinais → Inflamação normal, alta segura.
Febre de baixo grau no primeiro dia pós-operatório de uma cirurgia eletiva e sem intercorrências, na ausência de outros sinais de complicação, é frequentemente uma resposta inflamatória normal ou atelectasia. Não justifica investigação agressiva e permite alta com orientações claras sobre sinais de alarme.
A febre pós-operatória é uma ocorrência comum, especialmente nos primeiros dias após a cirurgia. É crucial diferenciar entre uma resposta fisiológica normal ao estresse cirúrgico e uma complicação infecciosa grave. No primeiro dia pós-operatório de uma cirurgia eletiva e minimamente invasiva como a colecistectomia videolaparoscópica, uma febre de baixo grau (geralmente <38.5°C) é frequentemente atribuída à resposta inflamatória sistêmica, atelectasia pulmonar ou desidratação. O diagnóstico diferencial da febre pós-operatória segue a regra dos '5 W's': Wind (atelectasia, pneumonia - dias 1-2), Water (infecção do trato urinário - dias 3-5), Wound (infecção de ferida - dias 5-7), Walk (tromboflebite, TEP - dias 5-7), e Wonder drugs (febre medicamentosa). No caso apresentado, a paciente está no POD1, com febre baixa e bom estado geral, o que afasta a maioria das complicações graves e indica uma recuperação normal. A conduta para pacientes com febre de baixo grau no pós-operatório imediato, sem outros sinais de alarme, é a observação e o manejo sintomático. A investigação agressiva com exames laboratoriais e de imagem só é justificada se houver febre alta, sinais de toxicidade sistêmica ou achados localizados que sugiram uma complicação específica. A alta hospitalar pode ser considerada se os critérios de recuperação forem atendidos e o paciente estiver estável, com orientações claras sobre sinais de alarme.
As causas mais comuns incluem resposta inflamatória sistêmica à cirurgia, atelectasia pulmonar e desidratação leve. Infecções graves são menos prováveis nesse período, mas devem ser consideradas se a febre for alta ou persistente.
A febre exige investigação se for alta (>38.5°C), persistente, acompanhada de calafrios, hipotensão, taquicardia, leucocitose significativa ou sinais localizados de infecção, como dor abdominal intensa ou secreção na ferida.
Os critérios incluem estabilidade hemodinâmica, dor controlada com analgésicos orais, tolerância à dieta oral, deambulação, diurese normal e ausência de sinais de complicações graves, permitindo uma recuperação segura em casa.
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