Febre Pós-Operatória Precoce: Manejo e Causas

SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 76 anos, previamente hipertenso, ex-tabagista (carga tabágica de 20 anos/maço, interrompeu tabagismo há 8 anos), histórico familiar de câncer colorretal, dá entrada no pronto atendimento com quadro de abdome agudo obstrutivo, hemodinamicamente estável. Após exames, foi submetido à laparotomia que evidenciou tumoração em sigmoide sendo, então, realizada cirurgia de Hartmann já no primeiro momento. No segundo dia de pós-operatório, evoluiu com febre de 38,2ºC e mal-estar. Diante da principal suspeita diagnóstica para o quadro febril, assinale a alternativa CORRETA sobre seu tratamento

Alternativas

  1. A) Iniciar antibioticoterapia de amplo espectro.
  2. B) Solicitar reabordagem cirúrgica imediata.
  3. C) Iniciar anticoagulação com enoxaparina.
  4. D) Analgesia e fisioterapia respiratória.

Pérola Clínica

Febre no 2º dia pós-op (cirurgia abdominal) → atelectasia = analgesia + fisioterapia respiratória.

Resumo-Chave

A febre que surge no segundo dia de pós-operatório, especialmente após cirurgias abdominais, é mais frequentemente causada por atelectasia pulmonar. O tratamento inicial foca em melhorar a ventilação e a expansão pulmonar através de analgesia adequada para permitir respirações profundas e fisioterapia respiratória intensiva.

Contexto Educacional

A febre no período pós-operatório é uma ocorrência comum e seu manejo exige uma abordagem sistemática, considerando o tempo de surgimento e o tipo de cirurgia. No segundo dia de pós-operatório, especialmente após cirurgias abdominais de grande porte como a cirurgia de Hartmann, a causa mais frequente de febre é a atelectasia pulmonar. Isso ocorre devido à hipoventilação, dor, uso de opioides e imobilidade, que levam ao colapso de alvéolos e segmentos pulmonares. A atelectasia é uma complicação pulmonar não infecciosa que pode ser prevenida e tratada com medidas simples e eficazes. O tratamento consiste primariamente em otimizar a analgesia para que o paciente consiga respirar profundamente e tossir, e em iniciar fisioterapia respiratória intensiva, que inclui exercícios de respiração profunda, tosse assistida e uso de espirômetro de incentivo. Essas medidas visam reexpandir os pulmões e mobilizar secreções. É um erro comum iniciar antibioticoterapia de amplo espectro para febre precoce pós-operatória sem evidência clara de infecção, pois a maioria desses quadros é de origem não infecciosa. A reabordagem cirúrgica é reservada para complicações cirúrgicas graves (ex: deiscência de anastomose, abscesso intra-abdominal), e a anticoagulação é uma medida profilática para tromboembolismo, não um tratamento primário para febre.

Perguntas Frequentes

Quais as principais causas de febre no pós-operatório?

As causas de febre pós-operatória variam com o tempo. Nos primeiros 48h, a atelectasia é a mais comum. Após 3-5 dias, infecções (urinária, sítio cirúrgico, pneumonia) e tromboflebite são mais prováveis.

Como diferenciar atelectasia de pneumonia no pós-operatório?

A atelectasia geralmente se manifesta com febre precoce e melhora com fisioterapia respiratória, sem sinais de infecção sistêmica grave. A pneumonia tende a surgir mais tardiamente, com tosse produtiva, infiltrados radiográficos e piora do estado geral.

Qual o papel da fisioterapia respiratória no pós-operatório?

A fisioterapia respiratória é crucial para prevenir e tratar a atelectasia, promovendo a expansão pulmonar, mobilização de secreções e melhora da ventilação, reduzindo o risco de complicações pulmonares.

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