SMS João Pessoa - Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa (PB) — Prova 2015
Matheus, 16 anos, deu entrada no Hospital de Emergência apresentando quadro clínico de abdome agudo. Após exame clínico, foi diagnosticado com apendicite aguda e encaminhado para o centro cirúrgico, onde tudo transcorreu dentro da normalidade e o mesmo recebeu alta hospitalar após 48 horas do procedimento. Porém, no 6° dia do pós- operatório, sua mãe, preocupada, retorna ao Hospital e refere que Matheus apresentou febre, mesmo ainda em uso do antibiótico. Nega outros sintomas associados. Ao exame, encontra-se em bom estado geral e sua temperatura é de 38,7°C. Qual a hipótese diagnóstica nessa situação?
Febre isolada no 5º-7º dia pós-operatório de apendicectomia, sem outros sintomas, sugere abscesso de parede.
A febre isolada que surge por volta do 5º ao 7º dia de pós-operatório de uma cirurgia abdominal, como a apendicectomia, sem sinais de peritonite ou outros focos evidentes, é altamente sugestiva de abscesso de parede abdominal ou infecção de sítio cirúrgico.
A febre pós-operatória é uma complicação comum e um desafio diagnóstico no período pós-cirúrgico. A etiologia da febre varia de acordo com o tempo decorrido desde a cirurgia e o tipo de procedimento realizado. É fundamental que o residente saiba realizar um diagnóstico diferencial sistemático para identificar a causa e instituir o tratamento adequado. No caso de uma apendicectomia, a febre que surge por volta do 6º dia de pós-operatório, sem outros sintomas associados e com o paciente em bom estado geral, deve levantar a suspeita de infecção de sítio cirúrgico, sendo o abscesso de parede abdominal uma das causas mais prováveis. Outras causas de febre tardia incluem abscesso intra-abdominal, infecção do trato urinário e trombose venosa profunda, mas a ausência de sintomas específicos para estas condições direciona para a parede. Atelectasia é uma causa de febre precoce (nas primeiras 24-48 horas). Infecções do trato urinário e pneumonia geralmente apresentam outros sintomas associados, como disúria, polaciúria ou sintomas respiratórios. A trombose venosa profunda, embora possa causar febre tardia, geralmente se manifesta com dor e edema em membro inferior. A avaliação clínica cuidadosa, incluindo inspeção e palpação da incisão cirúrgica, é crucial para o diagnóstico de abscesso de parede.
As causas de febre pós-operatória seguem uma cronologia: atelectasia (primeiras 24-48h), infecção urinária (2-5 dias), pneumonia (3-7 dias), infecção de sítio cirúrgico/abscesso de parede (5-7 dias) e abscesso intra-abdominal/trombose venosa profunda (7-10 dias ou mais).
Um abscesso de parede abdominal geralmente se manifesta com febre, dor localizada no sítio cirúrgico, eritema, calor e, por vezes, flutuação ou drenagem de pus na incisão. Pode ser a única manifestação em casos iniciais.
Abscesso de parede é localizado na incisão e pode ser palpável, enquanto o abscesso intra-abdominal causa dor abdominal difusa ou localizada, distensão, íleo, e sinais de sepse. Exames de imagem como ultrassonografia ou tomografia podem confirmar o diagnóstico.
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