Febre Pós-Operatória: Causas e Diagnóstico Diferencial

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 48 anos, portador de hipertensão arterial controlada, foi submetido a herniorrafia inguinal eletiva em esquema ambulatorial, com técnica cirúrgica sem a utilização de tela. Não foi utilizado antibiótico profilático e a anestesia foi apenas espinhal (raquidiana), sem sedação. Após 24 horas da cirurgia, passou a apresentar temperatura axilar de 38,2°C, além de mialgia e cansaço. Não tem perda de apetite ou dor abdominal. Refere dor no local da incisão, porém tolerável e controlável com as medicações analgésicas e anti-inflamatórias prescritas. Qual a melhor alternativa?

Alternativas

  1. A) Não deveria ter sido realizada a cirurgia em caráter ambulatorial por conta da hipertensão arterial sistêmica.
  2. B) A causa mais provável da febre neste paciente é atelectasia.
  3. C) Deveria ter sido utilizado antibiótico profilático.
  4. D) Não é possível descartar totalmente uma causa infecciosa para a febre.

Pérola Clínica

Febre < 48h pós-op → pensar em atelectasia, mas infecção não pode ser excluída, especialmente em cirurgias limpas.

Resumo-Chave

A febre nas primeiras 24-48 horas pós-operatórias é frequentemente atribuída a causas não infecciosas, como atelectasia. No entanto, mesmo em cirurgias limpas, uma causa infecciosa, como infecção do sítio cirúrgico ou infecção urinária, nunca pode ser totalmente descartada e exige investigação.

Contexto Educacional

A febre pós-operatória é uma complicação comum, ocorrendo em até 40% dos pacientes submetidos a cirurgias. É crucial para residentes saberem diferenciar as causas infecciosas das não infecciosas, especialmente no período precoce. Nas primeiras 24-48 horas, a atelectasia pulmonar é uma das causas mais frequentes, resultante da hipoventilação e acúmulo de secreções, levando a um colapso de alvéolos e febre de baixo grau. Embora a atelectasia seja uma hipótese forte para febre precoce, outras causas devem ser consideradas. Infecções do sítio cirúrgico, mesmo em cirurgias consideradas limpas como a herniorrafia sem tela, podem se manifestar precocemente, especialmente se houver contaminação intraoperatória ou fatores de risco do paciente. Outras infecções, como urinárias ou pulmonares, também podem surgir. A hipertensão controlada do paciente não contraindica a cirurgia ambulatorial, mas a decisão deve ser individualizada. O manejo da febre pós-operatória envolve uma investigação sistemática. Embora a atelectasia seja comum, a impossibilidade de descartar uma causa infecciosa sem uma avaliação completa é fundamental. Isso pode incluir exame físico detalhado, exames laboratoriais (hemograma, PCR), culturas (sangue, urina, secreção da ferida) e, se necessário, exames de imagem. A decisão sobre antibioticoprofilaxia em herniorrafias sem tela é controversa, mas geralmente não é indicada em pacientes de baixo risco.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de febre nas primeiras 24-48 horas pós-operatórias?

Nas primeiras 24-48 horas, as causas mais comuns são não infecciosas, como atelectasia pulmonar, reações transfusionais, desidratação e febre medicamentosa. No entanto, infecções precoces do sítio cirúrgico, infecção urinária ou pneumonia de aspiração também podem ocorrer.

Quando a antibioticoprofilaxia é indicada em herniorrafia inguinal?

A antibioticoprofilaxia é geralmente recomendada em herniorrafias inguinais com implante de tela (cirurgias limpas-contaminadas) ou em pacientes com fatores de risco para infecção, como diabetes, imunossupressão ou cirurgias prolongadas. Em cirurgias sem tela, como a do caso, e em pacientes sem fatores de risco, a profilaxia não é rotineiramente indicada.

Como diferenciar atelectasia de uma causa infecciosa de febre pós-operatória?

A atelectasia geralmente causa febre baixa, taquipneia e hipoxemia, melhorando com fisioterapia respiratória. Infecções tendem a causar febre mais alta, calafrios, leucocitose e sinais localizatórios (dor, eritema na ferida, disúria, tosse produtiva). A investigação inclui exames de imagem e culturas.

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