Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024
Lucas, 3 anos, 15 kg, previamente hígido, foi trazido ao consultório pelos pais devido a queixa de febre persistente há 2 dias. Os pais relataram que Lucas iniciou com rinorreia clara e tosse não produtiva há 3 dias e após iniciou febre variando entre 38.5 ºC e 39 ºC. Paciente manteve apetite preservado e ativo em momentos que não estava com febre. Foi checada a carteira de vacinação, que estava atualizada. No exame físico, apresenta bom estado geral, alerta, orientado, hidratado e afebril. Rinorreia clara. Oroscopia: leve hiperemia faríngea. AR. Murmúrio vesicular presente e simétrico sem ruídos adventícios e sem esforço respiratório evidente. FR. 25 ipm. Restante do exame físico sem alterações. Sobre como orientar o manejo da febre, assinale a alternativa correta.
Febre em pediatria → Tratar o desconforto da criança, não o valor absoluto do termômetro.
O manejo da febre deve focar na melhora do estado geral e do conforto da criança, evitando o uso desnecessário de medicamentos quando o paciente está ativo e bem disposto.
A febre é um mecanismo de defesa fisiológico e, na maioria das vezes, decorre de infecções virais autolimitadas. O conceito de 'fobia de febre' descreve a ansiedade excessiva dos pais, que frequentemente associam qualquer elevação térmica a riscos graves, como convulsões febris ou dano cerebral. É papel do médico desmistificar esses medos, explicando que a altura da febre não é um preditor isolado de gravidade bacteriana. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) enfatizam que o objetivo do antitérmico é o conforto. No caso de Lucas, um paciente hígido, com vacinação em dia e bom estado geral, a conduta expectante e a medicação apenas em caso de desconforto são as condutas mais adequadas. A dose de dipirona deve ser calculada por peso (geralmente 1 gota/kg ou 20mg/kg), respeitando os intervalos de segurança.
A medicação deve ser considerada quando a febre causa desconforto evidente, como irritabilidade excessiva, prostração, choro inconsolável ou recusa alimentar. Se a criança mantém bom estado geral, está ativa e hidratada, mesmo com temperatura elevada, a observação e medidas de conforto (como oferta de líquidos) podem ser suficientes.
Intercalar medicamentos (ex: Dipirona e Paracetamol) não é recomendado rotineiramente porque aumenta a confusão dos cuidadores quanto aos horários e doses, elevando o risco de toxicidade medicamentosa. Além disso, não há evidências robustas de que a prática reduza o desconforto de forma mais eficaz do que a monoterapia bem ajustada.
Métodos físicos como banhos mornos ou compressas têm efeito muito transitório e podem causar desconforto adicional (calafrios) se a temperatura da água não for adequada. Eles não atuam no centro termorregulador hipotalâmico e, por isso, não devem substituir o tratamento farmacológico quando este for indicado para o desconforto.
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