Febre de Oropouche: Complicações e Diagnóstico Clínico

SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025

Enunciado

Um pesquisador realizou um inquérito sorológico para arboviroses em duas cidades do interior, evidenciando presença de anticorpos contra o vírus Oropouche (OROV) em animais domésticos como cães e aves. Não houve isolamento do vírus no sangue desses animais. Igualmente, fez um inquérito entre pacientes adultos que apresentaram síndrome febril aguda no mesmo período, isolando o vírus da dengue em um percentual de pacientes, mas sem encontrar o OROV. Esses resultados foram compartilhados com as autoridades de saúde locais. DIAS, H. G. Investigação dos vírus mayaro e oropouche na interface humano-animal em regiões metropolitanas do Centro-Oeste do Brasil, 2016-2018. 2023. Tese (Doutorado em Medicina Tropical) – Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, 2023.Indique a principal complicação clínica do OROV:

Alternativas

Pérola Clínica

Febre de Oropouche → Principal complicação: Meningite ou Meningoencefalite asséptica.

Resumo-Chave

O OROV é um Orthobunyavirus transmitido pelo Culicoides paraensis. Embora cause síndrome febril aguda, sua gravidade reside no neurotropismo, podendo evoluir para inflamação do SNC.

Contexto Educacional

A Febre de Oropouche é uma arbovirose de relevância crescente no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. O quadro clínico mimetiza outras arboviroses, mas o potencial neurotrópico do vírus exige vigilância para sinais de irritação meníngea. A fisiopatologia envolve a replicação viral sistêmica após a picada do vetor, com possibilidade de transpor a barreira hematoencefálica. O manejo é predominantemente sintomático, com foco na hidratação e analgesia, evitando-se salicilatos devido ao risco teórico de síndrome de Reye ou sangramentos, embora menos comuns que na Dengue.

Perguntas Frequentes

Qual o principal vetor da Febre de Oropouche?

O principal vetor envolvido na transmissão urbana da Febre de Oropouche é o mosquito Culicoides paraensis, popularmente conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. Diferente da Dengue, o ciclo envolve vetores específicos que se proliferam em matéria orgânica úmida. O vírus pertence à família Peribunyaviridae, gênero Orthobunyavirus, e mantém ciclos silvestres envolvendo primatas e bichos-preguiça, além do ciclo urbano homem-vetor-homem.

Como diferenciar clinicamente Oropouche de Dengue?

Clinicamente, ambas apresentam febre alta, cefaleia e mialgia. No entanto, a Febre de Oropouche frequentemente apresenta um curso bifásico, onde os sintomas retornam após uma breve melhora inicial. Além disso, a ocorrência de meningite asséptica é uma marca distintiva do OROV em comparação à Dengue clássica, que foca mais em fenômenos hemorrágicos e extravasamento plasmático. O diagnóstico definitivo requer RT-PCR ou sorologia específica.

Quais são os achados no líquor na meningite por Oropouche?

Na meningite causada pelo vírus Oropouche, o estudo do líquido cefalorraquidiano (LÍQUOR) tipicamente revela um padrão de meningite asséptica: pleocitose linfocítica moderada, glicose normal e proteínas levemente aumentadas ou normais. O isolamento viral ou a detecção do genoma por PCR no líquor confirmam o envolvimento do sistema nervoso central pelo arbovírus.

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