Febre de Origem Obscura (FOO): Critérios e Diagnóstico

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

Os médicos costumam se referir a qualquer doença febril sem uma etiologia obvia inicial como Febre de Origem Obscura (FOO). A maioria das doenças febris melhora antes que um diagnóstico possa ser feito ou que desenvolva características que possibilitem o diagnóstico. O termo FOO deve ser reservado para doenças febris prolongadas sem uma etiologia estabelecida apesar da avaliação e exames diagnósticos intensivos. Diante do exposto, analise as afirmativas abaixo: I. Na população idosa três diagnósticos possíveis de FOO, arterite de células temporais associada à polimialgia reumática, doença de Still e neoplasia colon retal devem ser consideradas. II. A febre com sinais de endocardite e hemoculturas negativas representa um problema especial. A endocardite com culturas negativas pode ser causada por bactérias de difícil cultivo, como bactérias nutricionalmente variantes, os microrganismos do grupo HACEK. III. A febre de origem obscura é definida como febre > 37,8°C em pelo menos duas ocasiões, duração de doença maior que 1 semana, presença de imunocomprometimento conhecido, diagnóstico que permanece incerto após anamnese e exame físico detalhados e os seguintes exames obrigatórios: determinação de VHS e proteína C reativa, contagem de plaquetas, contagem total e diferencial de leucócitos, medidas dos níveis de hemoglobina, eletrólitos, creatinina, proteínas totais, fosfatase alcalina, FAN, fator reumatoide, eletroforese de proteínas, parcial de urina com urocultura, hemoculturas, radiografia de tórax, ultrassonografia abdominal e teste cutâneo com tuberculina ou IGRA teste.

Alternativas

  1. A) As afirmativas I e II estão corretas, a III está incorreta.
  2. B) As afirmativas I e III estão corretas, a II está incorreta.
  3. C) As afirmativas II e III estão corretas, a I está incorreta.
  4. D) As afirmativas I, II e III estão corretas.
  5. E) As afirmativas I, II e III estão incorretas.

Pérola Clínica

FOO clássica = T > 38,3°C + > 3 semanas + diagnóstico incerto após 1 semana de investigação.

Resumo-Chave

A FOO exige critérios rigorosos de tempo e temperatura. Em idosos, causas reumatológicas e neoplásicas predominam, enquanto o grupo HACEK é chave na endocardite com cultura negativa.

Contexto Educacional

A Febre de Origem Obscura (FOO) permanece um dos maiores desafios diagnósticos na medicina interna. A abordagem inicial deve ser sistemática, priorizando a confirmação da febre e a revisão detalhada da anamnese e exame físico em busca de 'pistas diagnósticas'. A fisiopatologia varia conforme a etiologia, mas envolve a liberação persistente de citocinas pirogênicas (IL-1, IL-6, TNF-alfa) por processos infecciosos, neoplásicos ou autoimunes. Em idosos, a prevalência de doenças do tecido conjuntivo e neoplasias é significativamente maior, exigindo exames como biópsia de artéria temporal ou colonoscopia precocemente. Já a endocardite por germes fastidiosos (HACEK) destaca a importância de técnicas microbiológicas avançadas e comunicação com o laboratório. O erro comum de iniciar antibioticoterapia empírica antes da investigação completa pode mascarar diagnósticos e prolongar o tempo para a resolução do quadro.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios clássicos para Febre de Origem Obscura?

A definição clássica de Petersdorf e Beeson exige temperatura axilar ou retal superior a 38,3°C em diversas ocasiões, duração da febre por mais de três semanas e a ausência de um diagnóstico definitivo após uma semana de investigação hospitalar ou ambulatorial intensiva. Definições modernas podem subdividir a FOO em clássica, nosocomial, neutropênica e associada ao HIV, cada uma com critérios específicos de tempo e investigação mínima necessária.

Quais as principais causas de FOO na população idosa?

Diferente de adultos jovens, onde infecções e doenças autoimunes predominam igualmente, nos idosos as doenças inflamatórias multissistêmicas ganham destaque. A Arterite de Células Temporais (frequentemente associada à Polimialgia Reumática) é uma causa clássica. Neoplasias, especialmente o câncer colorretal e linfomas, também devem ser investigadas exaustivamente, além de tuberculose extrapulmonar, que pode se manifestar de forma atípica nessa faixa etária.

O que é o grupo HACEK e sua relação com a endocardite?

O grupo HACEK é composto por bacilos gram-negativos fastidiosos: Haemophilus spp., Aggregatibacter spp., Cardiobacterium hominis, Eikenella corrodens e Kingella kingae. Eles fazem parte da microbiota orofaríngea e são causas conhecidas de endocardite infecciosa com hemoculturas negativas ou de crescimento lento. Embora raros, representam cerca de 1% a 3% de todos os casos de endocardite e exigem incubação prolongada das culturas para detecção laboratorial.

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