Febre de Origem Indeterminada em Crianças: Causas e Investigação

FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2022

Enunciado

A febre é um sinal comum a vários problemas de saúde de crianças. A definição exata da temperatura, a partir da qual se considera febre, é dada por pontos de corte arbitrários que variam na literatura e conforme a região de aferição no corpo, geralmente como temperatura ≥ 38ºC. Considerando a febre em crianças, são causas comuns de febre de origem indeterminada:

Alternativas

  1. A) Infecções virais e bacterianas do trato respiratório superior: rinossinusite, amidalite, faringite, otite média aguda, diarreia aguda. 
  2. B) Infecção do trato urinário, pneumonia, sinusite, bacteremia. 
  3. C) Artrite idiopática juvenil, lúpus eritematoso sistêmico, febre reumática, Doença de Crohn, colite ulcerativa, leucemia, Linfoma não Hodgkin. 
  4. D) Artrite séptica, osteomielite, síndromes virais, doença da arranhadura do gato, mononucleose infecciosa, citomegalovirose, malária, tuberculose, reação à vacina.

Pérola Clínica

FOI em crianças: pensar em doenças autoimunes, inflamatórias crônicas e neoplasias hematológicas.

Resumo-Chave

Febre de Origem Indeterminada (FOI) em crianças exige uma investigação abrangente, pois pode ser manifestação de doenças sistêmicas graves, incluindo condições autoimunes/inflamatórias crônicas (AIJ, LES, Doença de Crohn) e neoplasias (leucemias, linfomas), que são frequentemente subestimadas em um primeiro momento.

Contexto Educacional

A Febre de Origem Indeterminada (FOI) em crianças é um desafio diagnóstico significativo na pediatria. É definida por febre persistente sem uma causa aparente após uma investigação inicial. Embora infecções sejam as causas mais comuns de febre na infância, a FOI exige uma abordagem sistemática para descartar condições mais graves e menos frequentes, como doenças autoimunes, inflamatórias crônicas e neoplasias, que representam uma parcela importante dos casos de FOI não infecciosa. Entre as causas não infecciosas de FOI pediátrica, destacam-se as doenças reumatológicas e autoimunes, como a Artrite Idiopática Juvenil (AIJ) sistêmica, o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) e a Febre Reumática. Doenças inflamatórias intestinais, como Doença de Crohn e Colite Ulcerativa, também podem se manifestar com febre prolongada. Além disso, neoplasias, particularmente as hematológicas como leucemias e linfomas não Hodgkin, devem ser sempre consideradas no diagnóstico diferencial, pois a febre pode ser o primeiro ou único sintoma. A investigação da FOI requer uma anamnese detalhada, exame físico minucioso e exames laboratoriais e de imagem progressivos. O tratamento é direcionado à causa subjacente, e o prognóstico varia amplamente. É crucial que o residente mantenha um alto índice de suspeição para condições graves, evitando atrasos no diagnóstico e no início do tratamento adequado, o que pode impactar significativamente o desfecho da criança.

Perguntas Frequentes

Quais critérios definem a Febre de Origem Indeterminada (FOI) em crianças?

A FOI em crianças é definida por febre ≥ 38,3°C em várias ocasiões, com duração de pelo menos 8 dias, sem diagnóstico após investigação inicial ambulatorial ou 3 dias de investigação hospitalar.

Quais exames iniciais são recomendados na investigação de FOI pediátrica?

A investigação inicial inclui hemograma completo, PCR, VHS, urinálise, urocultura, hemoculturas, radiografia de tórax e testes para infecções virais comuns. Se negativo, a investigação se aprofunda para causas não infecciosas.

Como diferenciar FOI infecciosa de não infecciosa em crianças?

A diferenciação é desafiadora. A ausência de resposta a antibióticos, padrões febris atípicos, presença de outros sintomas sistêmicos (artralgia, rash, perda de peso) e marcadores inflamatórios persistentes sem foco infeccioso claro sugerem causas não infecciosas.

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