Febre em Lactentes: Identificando Sinais Localizatórios

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022

Enunciado

Lactente masculino, 3 meses, previamente hígido, foi levado à UPA com queixa de febre de 38,5ºC, de início há 3 dias, acompanhado de tosse seca, coriza hialina e espirros. A mãe usou Paracetamol, 5 gotas e soro fisiológico nas narinas. Hoje relatou também quadro de diarreia 5 vezes ao dia, com fezes semilíquidas, amareladas, sem muco ou sangue e odor incaracterístico. Antes evacuava 2-3 vezes/dia. Diurese presente. Aceita bem o seio materno. A vacina de Meningo C agendada para esta semana ainda não foi realizada. Negou intercorrências gestacionais ou de parto, nasceu a termo, com peso de 3.200 g e Apgar 9 e 9. Ao exame físico, Tax de 38,9º C, FC: 120 bpm, FR: 50 irm e Peso: 6 kg. BEG e febril. Fontanela anterior plana e normotensa. Otoscopia e Orofarige sem alteração. Linfonodos cervicais palpáveis, lisos, móveis indolores e tamanhos normais. AR: murmúrio vesicular fisiológico e sem ruídos adventícios. ACV: RCR, 2t, sem sopros e boa perfusão periférica. Abdome plano, simétrico, sem visceromegalias e RHA presentes. Genitália masculina bem formada, prepúcio aderido à glande, expõe o meato uretral e testículos tópicos. Pele sem lesões, inclusive perineal. Em relação à avaliação do quadro febril, é correto afirmar que se trata de uma febre

Alternativas

  1. A) de origem indeterminada. 
  2. B) sem sinais localizatórios.
  3. C) de origem determinada. 
  4. D) causada por bacteremia oculta. 

Pérola Clínica

Lactente febril com sintomas respiratórios e gastrointestinais = febre de origem determinada (provável etiologia viral).

Resumo-Chave

A presença de sintomas como tosse, coriza, espirros e diarreia, mesmo que inespecíficos, configura sinais localizatórios que permitem determinar a origem da febre, geralmente viral, em um lactente com bom estado geral.

Contexto Educacional

A avaliação da febre em lactentes é um desafio comum na pediatria, exigindo uma abordagem cuidadosa para diferenciar condições benignas de infecções graves. A febre é classificada como de origem determinada quando há sinais e sintomas que apontam para um foco infeccioso específico, como no caso apresentado, onde a tosse, coriza, espirros e diarreia sugerem uma infecção viral do trato respiratório superior e gastroenterite. Em lactentes, especialmente nos primeiros meses de vida, a ausência de sinais localizatórios claros pode levantar a preocupação com febre sem foco ou bacteremia oculta, que são condições de maior risco. No entanto, a presença de múltiplos sintomas, mesmo que inespecíficos, como os descritos no enunciado, já configura um quadro de febre de origem determinada, geralmente viral, e com bom prognóstico, especialmente se o lactente apresenta bom estado geral e aceita bem a alimentação. O manejo inicial de um lactente febril com origem determinada envolve medidas de suporte, como hidratação e antitérmicos. É fundamental que o médico esteja atento a sinais de alerta que possam indicar uma piora do quadro ou a presença de uma infecção bacteriana grave, como letargia, irritabilidade excessiva, recusa alimentar, dificuldade respiratória ou alterações hemodinâmicas. A vacinação, embora não realizada para Meningo C, não altera a determinação da origem da febre pelos sintomas presentes.

Perguntas Frequentes

Quais sintomas em lactentes indicam uma febre de origem determinada?

Sintomas como tosse, coriza, espirros, diarreia, vômitos ou exantemas, mesmo que leves, são considerados sinais localizatórios que ajudam a determinar a origem da febre, geralmente viral, em lactentes.

Quando a febre em um lactente é considerada de origem indeterminada?

A febre é considerada de origem indeterminada quando não há sinais ou sintomas que apontem para um foco infeccioso específico após uma avaliação clínica completa, especialmente em lactentes jovens com alto risco de infecções bacterianas graves.

Como diferenciar febre de origem determinada de bacteremia oculta em lactentes?

A febre de origem determinada geralmente apresenta sintomas claros que direcionam o diagnóstico (ex: IVAS, gastroenterite). A bacteremia oculta ocorre em lactentes febris sem sinais localizatórios aparentes e com bom estado geral, mas com risco de infecção bacteriana invasiva, exigindo investigação mais aprofundada.

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