SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2021
Sophia 20 dias de vida é levada para avaliação da MFC Claudia por ter iniciado com febre há 24 horas. Pais relatam bom estado geral, boa diurese e em aleitamento materno exclusivo. Sem outros sintomas associados a febre. Sem intercorrências durante o acompanhamento pré-natal e parto. No exame físico a criança apresentava-se febril T 38,5, boa perfusão periférica, ativa, reativa, hidratada e com FR 66mrm e FC 140bpm, ausculta cardíaca e pulmonar sem alteração. Qual deve ser a conduta da MFC Cláudia:
Febre em RN < 28 dias = SEMPRE investigar e hospitalizar por alto risco de sepse.
Qualquer episódio febril em neonatos (até 28 dias de vida) deve ser considerado uma emergência médica devido ao alto risco de infecção bacteriana grave (sepse). Mesmo com bom estado geral, a conduta padrão é a hospitalização para investigação completa e início de antibioticoterapia empírica até exclusão de infecção grave.
A febre em neonatos, definida como temperatura retal ≥ 38°C, é um sinal de alarme que exige atenção imediata e investigação rigorosa. Devido à imaturidade do sistema imunológico e à apresentação atípica das infecções nessa faixa etária, qualquer episódio febril em um recém-nascido (até 28 dias de vida) deve ser tratado como uma potencial infecção bacteriana grave (IBG), como sepse, meningite ou infecção do trato urinário. A incidência de IBG em neonatos febris é significativa, variando de 10% a 20%. A avaliação de um neonato febril deve ser abrangente, mesmo que o bebê pareça em bom estado geral. A história clínica deve incluir detalhes sobre o pré-natal, parto, período neonatal e possíveis exposições a infecções. O exame físico deve ser minucioso, buscando sinais sutis de infecção. No entanto, a ausência de sinais focais não exclui uma IBG. A conduta padrão para um neonato febril é a hospitalização para investigação completa e início de antibioticoterapia empírica intravenosa de amplo espectro, após a coleta de culturas (hemocultura, urocultura e cultura de líquor). Os exames laboratoriais incluem hemograma completo, PCR e análise de líquor. A antibioticoterapia é mantida até que as culturas sejam negativas e a criança esteja afebril e clinicamente bem, ou ajustada conforme o agente etiológico isolado. A alta sem investigação e tratamento hospitalar é uma conduta inadequada e perigosa.
Neonatos possuem um sistema imunológico imaturo e uma barreira hematoencefálica mais permeável, tornando-os altamente suscetíveis a infecções bacterianas graves e disseminadas (sepse, meningite) com rápida progressão e alta morbimortalidade.
A investigação completa inclui hemograma com diferencial, proteína C reativa (PCR), hemocultura, exame de urina e urocultura, e punção lombar para análise do líquor. Radiografia de tórax pode ser considerada se houver sintomas respiratórios.
A conduta inicial é a hospitalização, coleta de culturas (sangue, urina, líquor) e início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, geralmente com ampicilina e gentamicina ou cefotaxima, até que os resultados das culturas estejam disponíveis.
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