Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Durante o plantão no pronto-socorro infantil, Júlio César, 18 dias de vida, é trazido pelos pais devido ao quadro de febre aferida, (38,2°C) há cerca de 1 hora. O paciente é medicado em casa com paracetamol.Está em aleitamento materno exclusivo, apresenta cartão vacinal com as vacinas BCG e hepatite B ao nascimento, sem intercorrências durante a gestação e durante o período pós-natal. Teve alta da maternidade junto com a mãe e vem ganhando peso adequadamente, conforme observado nas consultas de puericultura de rotina.Ao exame, encontra-se em bom estado geral, ativo e reativo, já afebril, sem outras alterações. Considerando o quadro clínico apresentado, assinale a alternativa que corresponde à conduta recomendada para Júlio César.
RN < 28 dias com febre (mesmo afebril no PS) → Internar, investigar sepse (incluindo líquor) e iniciar ATB empírico (cefotaxima + ampicilina).
Qualquer episódio febril em neonatos (< 28 dias) é uma emergência médica devido ao alto risco de sepse grave e rápida progressão. A conduta padrão inclui internação, investigação completa para sepse (hemocultura, urocultura, líquor) e início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, mesmo que o paciente esteja afebril no momento da avaliação.
A febre em neonatos, definida como temperatura retal ≥ 38°C, é uma condição de extrema urgência pediátrica, independentemente do estado geral aparente do bebê. Devido à imaturidade do sistema imunológico e à dificuldade em localizar o foco infeccioso, todo neonato febril (< 28 dias) deve ser considerado com alto risco de sepse bacteriana invasiva até prova em contrário. A epidemiologia mostra que infecções bacterianas graves são uma das principais causas de morbimortalidade nesse grupo etário. A fisiopatologia da sepse neonatal envolve a disseminação de bactérias (comuns: Streptococcus agalactiae, E. coli, Listeria monocytogenes) pela corrente sanguínea, podendo levar a meningite, pneumonia e outras infecções focais. O diagnóstico é clínico-laboratorial, exigindo uma investigação completa que inclui hemograma, proteína C-reativa, hemocultura, urocultura e, crucialmente, punção lombar para análise do líquor. A suspeita deve ser alta mesmo em casos de melhora transitória da febre. A conduta imediata é a internação hospitalar e o início de antibioticoterapia empírica endovenosa de amplo espectro, antes mesmo da obtenção dos resultados das culturas. A combinação mais utilizada é ampicilina (para Listeria e enterococos) e cefotaxima (para Gram-negativos e boa penetração no SNC), ou ampicilina e gentamicina. O tratamento precoce e agressivo é fundamental para melhorar o prognóstico e reduzir as complicações neurológicas e a mortalidade.
A febre em neonatos (< 28 dias) é uma emergência porque o sistema imunológico imaturo os torna altamente suscetíveis a infecções bacterianas graves e invasivas, como sepse e meningite, que podem progredir rapidamente e ter alta morbimortalidade.
A investigação completa de sepse neonatal inclui hemograma, proteína C-reativa, hemocultura, análise de urina e urocultura, e punção lombar para análise de líquor (citoquímico, bacterioscopia e cultura), além de radiografia de tórax se houver sintomas respiratórios.
A antibioticoterapia empírica inicial para sepse neonatal geralmente consiste em uma combinação de ampicilina (para cobertura de Listeria monocytogenes e enterococos) e um aminoglicosídeo (gentamicina) ou uma cefalosporina de terceira geração (cefotaxima), que oferece cobertura para bacilos Gram-negativos.
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