SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2024
Escolar de 8 anos é atendido em Unidade de Pronto-Atendimento por Pediatra, com queixa de febre alta há 6 dias. Há 3 dias, a mãe da criança percebeu o surgimento de manchas vermelhas, inicialmente nos pulsos e tornozelos, as quais progrediram para as palmas das mãos, plantas dos pés, braços e pernas, e há 24 horas, foram observadas algumas lesões semelhantes espalhadas pelo tronco do menor. Há relato de cefaleia, dor no corpo e abdominal. Ao exame clínico, o único achado percebido pelo Pediatra, foi um exantema maculopapular em membros (incluindo palmas das mãos e plantas dos pés) e em tronco, além de algumas petéquias em mãos e pés. Genitora refere que, há cerca de 12 dias, ela e a criança estiveram na casa dos avós maternos, em uma área rural no Estado de São Paulo, durante 5 dias. Diante do exposto acima, assinale a doença febril exantemática com maior potencial de estar acometendo esse escolar.
Febre + exantema centrífugo (mãos/pés) + petéquias + área rural = Febre Maculosa Brasileira.
A Febre Maculosa Brasileira deve ser fortemente suspeitada em pacientes com febre, cefaleia, mialgia e um exantema maculopapular que se inicia nas extremidades (pulsos, tornozelos, palmas e plantas) e progride centripetamente, especialmente se há histórico de exposição a carrapatos em áreas endêmicas.
A Febre Maculosa Brasileira (FMB) é uma zoonose grave causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida pela picada de carrapatos infectados, principalmente do gênero Amblyomma (carrapato-estrela). É uma doença de alta letalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. A epidemiologia é fundamental para a suspeita diagnóstica, com casos concentrados em áreas rurais ou de mata, especialmente no Sudeste do Brasil, como o estado de São Paulo, onde a presença de capivaras e cavalos favorece a proliferação dos vetores. O quadro clínico da FMB inicia-se com sintomas inespecíficos como febre alta, cefaleia, mialgia e dor abdominal, o que dificulta o diagnóstico diferencial com outras viroses. O sinal mais característico é o exantema maculopapular que surge alguns dias após o início da febre, com uma progressão típica: inicia-se nas extremidades (pulsos, tornozelos, palmas das mãos e plantas dos pés) e se espalha para o tronco. A presença de petéquias indica maior gravidade. A suspeita clínica deve ser alta em pacientes com febre e exantema com essa distribuição, associada a histórico de exposição em área de risco. O tratamento da FMB é uma emergência médica e deve ser iniciado empiricamente com doxiciclina assim que houver suspeita clínica, sem aguardar a confirmação laboratorial, devido à rápida progressão da doença e alta mortalidade. O atraso no tratamento é o principal fator associado a desfechos desfavoráveis. A profilaxia envolve evitar áreas de risco e usar repelentes e roupas adequadas para prevenir picadas de carrapatos.
Os sintomas iniciais da Febre Maculosa Brasileira são inespecíficos e incluem febre alta, cefaleia intensa, mialgia, artralgia, náuseas e vômitos. O exantema geralmente surge 3 a 5 dias após o início da febre.
O exantema é maculopapular, inicialmente eritematoso, e surge tipicamente nos pulsos e tornozelos, progredindo para palmas das mãos, plantas dos pés, braços, pernas e, posteriormente, tronco. Pode evoluir para lesões petequiais ou purpúricas, indicando gravidade.
A história de exposição a áreas rurais ou silvestres, especialmente em regiões endêmicas como o interior de São Paulo, e o contato com carrapatos (principalmente do gênero Amblyomma) são cruciais para a suspeita diagnóstica, pois a doença é transmitida pela picada do carrapato infectado.
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