Febre Maculosa: Diagnóstico e Sinais Chave

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020

Enunciado

Criança, sexo masculino, oito anos de idade, residente em região de mata no interior de Minas Gerais, consulta na UPA com história de febre (39,5ºC), cefaleia e mialgia há seis dias. Relata que no terceiro dia iniciou com exantema maculopapular, sem prurido. As lesões iniciaram nos tornozelos, punhos e antebraços, e se espalharam para as palmas das mãos e plantas dos pés, e depois braços, pernas e tronco, poupando a face. Notam-se também petéquias e algumas áreas de equimose nas extremidades. Encontra-se prostrado, com edema peripalpebral e hiperemia conjuntival. Abdome normotenso, indolor, com fígado palpável a 2cm abaixo do rebordo costal direito e baço a 1cm do rebordo costal esquerdo. Restante do exame físico sem alterações. As vacinas estão em dia. Exames laboratoriais: Hemácias: 4,69 milhões/mm³ (VR: 4,0-5,2 milhões/mm³); Hemoglobina: 11,1g/dL (VR: 11,5 - 15,5g/dL); Hematócrito: 40% (VR: 35-45%); Global de leucócitos: 14.180/mm³ (VR: 4.500-13.500/mm³); Diferencial: 65% segmentados; 30% linfócitos; 2% monócitos; e 2% bastonetes. Plaquetas: 61.000/mm³ (VR: 150.000 a 450.000/mm³); Proteína C reativa: 35mg/dL (VR <6 mg/dL); Dosagem de sódio sérico: 131mmol/L (VR: 135-145 mmol/L); TGO: 110U/L (VR: 5-40U/L); TGP: 55U/L (VR: 7-56 U/L); Assinale a hipótese diagnóstica MAIS PROVÁVEL.

Alternativas

  1. A) Escarlatina
  2. B) Febre Amarela
  3. C) Febre Maculosa
  4. D) Sarampo

Pérola Clínica

Febre + exantema palmoplantar + trombocitopenia + epidemiologia rural → Febre Maculosa.

Resumo-Chave

A febre maculosa é uma doença grave transmitida por carrapatos, caracterizada por febre, cefaleia, mialgia e um exantema maculopapular que tipicamente se inicia nas extremidades (palmas e plantas) e se espalha, podendo evoluir com petéquias e equimoses, além de acometimento sistêmico.

Contexto Educacional

A febre maculosa brasileira, causada pela bactéria Rickettsia rickettsii e transmitida por carrapatos do gênero Amblyomma (carrapato-estrela), é uma doença infecciosa grave com alta letalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. É endêmica em algumas regiões do Brasil, como o sudeste, e sua incidência aumenta em períodos de maior atividade dos carrapatos. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, baseado na tríade de febre, cefaleia e exantema, associada à história de exposição a carrapatos em área endêmica. O exantema, que surge após 3-5 dias de febre, é caracteristicamente maculopapular, não pruriginoso, e inicia-se nas extremidades (punhos, tornozelos, palmas e plantas), progredindo para o tronco. Achados como edema peripalpebral, hiperemia conjuntival, e laboratoriais como trombocitopenia e leucocitose com desvio à esquerda são sugestivos. O tratamento deve ser iniciado imediatamente com doxiciclina, mesmo antes da confirmação laboratorial, devido à rápida progressão da doença. O prognóstico está diretamente relacionado à precocidade do tratamento. A prevenção envolve evitar áreas infestadas por carrapatos e usar medidas de proteção individual.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da febre maculosa?

Os sintomas incluem febre alta, cefaleia, mialgia, prostração, e um exantema maculopapular que surge nas extremidades (punhos, tornozelos, palmas, plantas) e se generaliza, podendo evoluir para petéquias e equimoses.

Por que a febre maculosa é considerada uma emergência médica?

A febre maculosa pode progredir rapidamente para formas graves com vasculite sistêmica, disfunção de múltiplos órgãos, coagulopatia e choque, com alta letalidade se não tratada precocemente.

Como diferenciar a febre maculosa de outras doenças exantemáticas?

A diferenciação envolve a história epidemiológica (contato com carrapatos, área endêmica), o padrão de progressão do exantema (centrífugo, acometendo palmas e plantas) e achados laboratoriais como trombocitopenia e elevação de enzimas hepáticas.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo