Febre Maculosa: Diagnóstico e Tratamento com Doxiciclina

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 25 anos, há 6 dias com febre de início súbito (até 39º C), cefaleia, mialgia intensa e mal-estar. Após 3 dias notou lesões de pele, não pruriginosas, nas mãos e pés, com posterior acometimento de outras áreas. Pratica ciclismo em áreas rurais aos finais de semana e tem sinais de picadas frequentemente. Nega contato direto com animais silvestres. Não possui animais domésticos. Nega uso de medicamentos. Exame físico: consciente, orientado, FC 120 bpm, temperatura axilar 38,5° C, pressão arterial 100 x 60 mmHG, frequência respiratória 24 irpm; fígado a 3 cm do rebordo costal direito, discretamente doloroso à palpação; exantema maculopapular difuso, com presença de petéquias, sem prurido; edema de mãos e pés; sem outras alterações. Exames laboratoriais: HB: 12,1 g/dL; leucócitos: 3.000 células/ul, 85% neutrófilos, plaquetas: 50.000/ul. TGO: 240 U/L (VN: até 38,0); TGP:160 U/L (VN: 10 a 49). Teste rápido HIV negativo, NS1: negativo, lgG e IgM para dengue: negativos; teste treponêmico: negativo; sorologia para toxoplasmose lgG: positivo; IgM negativo; radiografia de tórax: sem alterações. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é o tratamento indicado?

Alternativas

  1. A) Sulfametoxazol trimetoprim.
  2. B) Penicilina benzatina.
  3. C) Itraconazol.
  4. D) Doxiciclina.

Pérola Clínica

Febre + cefaleia + mialgia + exantema petequial (mãos/pés) + exposição rural → Febre Maculosa → Doxiciclina.

Resumo-Chave

O quadro clínico de febre, mialgia, cefaleia e exantema maculopapular com petéquias, especialmente em extremidades, associado à história epidemiológica de exposição rural e picadas de carrapato, é altamente sugestivo de febre maculosa. O tratamento empírico com doxiciclina deve ser iniciado imediatamente.

Contexto Educacional

A febre maculosa é uma doença infecciosa grave causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida pela picada de carrapatos infectados, como o carrapato-estrela (Amblyomma sculptum). É uma zoonose de alta letalidade se não tratada precocemente, sendo endêmica em diversas regiões do Brasil, especialmente em áreas rurais e de mata. A suspeita clínica é fundamental para o diagnóstico e manejo. O quadro clínico típico inicia-se com febre alta súbita, cefaleia intensa, mialgia, artralgia e prostração. Após 2 a 5 dias, surge o exantema maculopapular, que classicamente começa nas extremidades (palmas das mãos e plantas dos pés) e se dissemina para o tronco, podendo evoluir para petéquias e equimoses. Achados laboratoriais comuns incluem leucopenia, trombocitopenia e elevação de enzimas hepáticas. A história epidemiológica de exposição a carrapatos ou áreas de risco é crucial. O tratamento da febre maculosa é uma emergência médica e deve ser iniciado empiricamente com doxiciclina assim que houver suspeita clínica, sem aguardar a confirmação laboratorial. O atraso no início do tratamento está associado a um aumento significativo da mortalidade. A doxiciclina é eficaz em todas as faixas etárias, incluindo crianças, e deve ser mantida por pelo menos 7 dias ou até 3 dias após a resolução da febre.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da febre maculosa?

Os sintomas iniciais incluem febre alta súbita, cefaleia intensa, mialgia, mal-estar e prostração. Posteriormente, surge um exantema maculopapular, que pode evoluir para petéquias, inicialmente em mãos e pés, e depois se espalhar.

Por que a doxiciclina é o tratamento de escolha para febre maculosa?

A doxiciclina é o antibiótico de escolha devido à sua alta eficácia contra a Rickettsia rickettsii, o agente etiológico da febre maculosa. É crucial iniciar o tratamento o mais rápido possível para evitar complicações graves e óbito.

Como é feita a prevenção da febre maculosa?

A prevenção envolve evitar áreas infestadas por carrapatos, usar roupas de manga longa e calças compridas, aplicar repelentes, e realizar inspeção corporal após atividades em áreas de risco para remover carrapatos.

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