COC - Centro Oncológico de Cuiabá (MT) — Prova 2020
Na Atenção Primária à Saúde, é muito comum o atendimento de crianças com febre. Para as crianças entre 1 e 3 meses que apresentem síndrome febril, deve-se observar que:
Lactentes 1-3 meses com febre: maioria de baixo risco pode ter acompanhamento ambulatorial com seguimento rigoroso.
Lactentes entre 1 e 3 meses com febre exigem avaliação cuidadosa devido ao risco de infecção bacteriana grave. No entanto, após estratificação de risco (critérios de Rochester ou similares), uma parcela significativa pode ser manejada ambulatorialmente com acompanhamento rigoroso, evitando internações desnecessárias.
A febre em lactentes jovens, especialmente entre 1 e 3 meses de idade, é uma preocupação significativa na Atenção Primária à Saúde devido ao risco de Infecção Bacteriana Grave (IBG). Nesses pacientes, a resposta imune ainda é imatura, e os sinais e sintomas de infecção podem ser inespecíficos, dificultando a localização da fonte da febre. Historicamente, todos os lactentes febris nessa faixa etária eram internados e submetidos a uma investigação invasiva e antibioticoterapia empírica. No entanto, com o desenvolvimento de protocolos de estratificação de risco, como os Critérios de Rochester, Boston e Philadelphia, tornou-se possível identificar um subgrupo de lactentes de baixo risco para IBG. Esses lactentes, que apresentam boa aparência geral, ausência de doenças crônicas e exames laboratoriais dentro de limites específicos, podem se beneficiar de um acompanhamento ambulatorial rigoroso, com reavaliação precoce. É um erro comum assumir que a maioria das febres nessa idade se relaciona à infecção bacteriana do trato urinário ou que todos os lactentes febris apresentarão alterações radiológicas e laboratoriais evidentes. A realidade é que uma proporção considerável tem infecções virais autolimitadas, e a estratificação de risco permite um manejo mais individualizado e menos invasivo, otimizando recursos e minimizando o desconforto para o paciente e a família.
Critérios de baixo risco (como os de Rochester) incluem: aparência geral boa, ausência de doenças crônicas, sem foco infeccioso evidente, contagem de leucócitos entre 5.000-15.000/mm³, urinálise normal e, em alguns protocolos, PCR ou procalcitonina baixas. Lactentes com esses critérios podem ser considerados para manejo ambulatorial.
A investigação inicial geralmente inclui hemograma completo, urinálise com urocultura e hemocultura. Em casos de alto risco ou sem foco, pode-se considerar punção lombar para análise do líquor e radiografia de tórax. Marcadores inflamatórios como PCR e procalcitonina também são úteis.
A internação é obrigatória para lactentes febris com menos de 28 dias de vida, aqueles com sinais de toxicidade, aparência geral ruim, achados de infecção bacteriana grave (meningite, sepse), ou que não se enquadram nos critérios de baixo risco após avaliação completa.
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