HUSE - Hospital de Urgência de Sergipe Gov. João Alves Filho — Prova 2020
Adolescente, 14 anos, sexo masculino é levado à emergência por apresentar febre alta e dores no corpo. Mãe relata que o quadro teve início há dois dias com temperatura mantida em 38,5ºC a cada quatro horas e que ontem, acordou com fortes dores nas mãos e pés e hoje surgiram pintinhas generalizadas no corpo com muita coceira. Mãe refere que teve dengue há dez dias e que mora numa área infestada de mosquitos. Exame físico: não consegue deambular sozinho, febril (38ºC), hidratado, eupneico, anictérico, FR: 36 irpm, FC: 96 bpm, sat O2: 96%, PA: 100 x 60 mm Hg. Edema de mãos e pés ++/4+, exantema morbiliforme pruriginoso em face, tronco e membros superiores. Laboratório: Hm: 3.500.000/mm3, Hb: 12,8 g/dL, Ht: 38%, leucócitos: 6.500/mm3, bastões: 2%, segmentados: 32%, linfócitos: 39%, monócitos: 5%. 6mm/1ah, plaquetas: 230.000/mm³. O quadro descrito sugere:
Chikungunya → febre + artralgia intensa (mãos/pés) + edema + exantema pruriginoso.
A febre Chikungunya é caracterizada por febre alta, poliartralgia intensa e simétrica, principalmente em pequenas articulações, e exantema maculopapular pruriginoso. O edema de mãos e pés é um achado comum, diferenciando-a de outras arboviroses como a dengue, que raramente causa artralgia tão proeminente.
A febre Chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus Chikungunya (CHIKV), transmitida pelo Aedes aegypti e Aedes albopictus. Caracteriza-se por uma fase aguda com febre alta, poliartralgia intensa e simétrica, exantema maculopapular e, frequentemente, edema de mãos e pés. Sua importância clínica reside na alta morbidade devido à cronicidade da dor articular em muitos pacientes. O diagnóstico é primariamente clínico-epidemiológico, baseado nos sintomas e na história de exposição em áreas endêmicas. A fisiopatologia envolve a replicação viral em células-alvo como fibroblastos, macrófagos e células musculares, levando a uma resposta inflamatória intensa que causa a artralgia e o edema. A suspeita deve ser alta em pacientes com febre e dor articular desproporcional. O tratamento é sintomático, com analgésicos e anti-inflamatórios. A fase crônica, que pode durar meses ou anos, requer manejo da dor e reabilitação. É crucial diferenciar de outras arboviroses como dengue e zika, onde a artralgia é menos proeminente na dengue e a zika se associa mais a microcefalia e síndrome de Guillain-Barré.
Os principais sinais são febre alta, poliartralgia intensa e simétrica (especialmente em mãos e pés), edema articular e exantema maculopapular pruriginoso.
A Chikungunya se destaca pela intensidade da artralgia e pelo edema articular, que são menos proeminentes ou ausentes na dengue. A dengue pode apresentar mialgia mais intensa e sinais de alarme.
O edema de mãos e pés é um achado clínico relevante e frequente na fase aguda da Chikungunya, auxiliando no diagnóstico diferencial com outras arboviroses.
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