Febre Amarela: Ciclos de Transmissão e Vacinação em Idosos

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Uma senhora de 65 anos de idade residente na região metropolitana de São Paulo procura a unidade básica de saúde para receber a vacina contra febre amarela.a) O que caracteriza as formas de transmissão silvestre e urbana da febre amarela?b) Qual tem sido a forma de transmissão nas epidemias recentes nos estados de SP, MG e RJ?c) Essa paciente tem contraindicação para receber a vacina caso não tenha qualquer comorbidade? Explique.

Alternativas

Pérola Clínica

Febre amarela no Brasil é silvestre (Haemagogus/Sabethes); idosos exigem avaliação de risco-benefício individual.

Resumo-Chave

A transmissão urbana (Aedes aegypti) não ocorre no Brasil desde 1942. Em idosos (>60 anos), a vacinação requer cautela pelo risco de eventos adversos graves viscerotrópicos.

Contexto Educacional

A febre amarela é uma arbovirose causada por um Flavivírus. No Brasil, o manejo epidemiológico foca na vigilância de epizootias em primatas, que servem como sentinelas para a circulação viral. A vacina é composta por vírus vivo atenuado (cepa 17D), sendo altamente eficaz, mas com contraindicações específicas para imunossuprimidos e precaução em idosos. O diagnóstico diferencial inclui malária, leptospirose e outras hepatites virais fulminantes. A estratégia de vacinação brasileira evoluiu para recomendação em todo o território nacional após os surtos na região Sudeste, visando criar uma barreira imunológica e prevenir a reurbanização da doença.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre o ciclo silvestre e o urbano?

No ciclo silvestre, os vetores são mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, e o reservatório principal são os primatas não humanos. No ciclo urbano, o vetor é o Aedes aegypti e o homem é o único hospedeiro. No Brasil, o ciclo urbano não é registrado desde 1942.

Por que a vacina é cautelosa em maiores de 60 anos?

Idosos apresentam maior risco de desenvolver eventos adversos graves pós-vacinais, como a doença viscerotrópica aguda ou doença neurológica aguda, devido à imunossenescência. A indicação deve ser baseada no risco epidemiológico local e avaliação clínica.

Quais estados foram mais afetados nos surtos recentes?

Os estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo enfrentaram grandes surtos entre 2016 e 2019, caracterizados pela expansão do vírus para áreas anteriormente consideradas sem recomendação de vacina.

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