Febre Amarela Silvestre: Transmissão e Impossibilidade de Eliminação

HOA - Hospital de Olhos de Aparecida de Goiânia (GO) — Prova 2019

Enunciado

Em momentos com as condições ideais para transmissão, um número maior de primatas não humanos (PNH) adoece e morre chamando atenção da sociedade na forma de epizootia, que representa o evento sentinela, e define medidas de intensificação de vacinação nos moradores das regiões afetadas. Sobre isso, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Estima-se que o número de animais infectados aumenta em intervalos cíclicos dependentes do crescimento da população susceptível de macacos em determinadas regiões, além da densidade de vetores nas matas.
  2. B) Seres humanos podem ser infectados esporadicamente quando adentram a mata para trabalho ou turismo.
  3. C) Seres humanos podem ser infectados quando picados pelo mosquito silvestre infectado, apresentando a chamada febre amarela silvestre, que pode ocorrer em surtos maiores ou menores, de acordo com o número de indivíduos não imunes expostos. 
  4. D) Sendo a febre amarela silvestre uma zoonose, sua transmissão é passível de eliminação. 

Pérola Clínica

Febre amarela silvestre é zoonose com ciclo em PNH e mosquitos → não é passível de eliminação total devido ao reservatório silvestre.

Resumo-Chave

A febre amarela silvestre, por ser uma zoonose com um ciclo de transmissão complexo envolvendo primatas não humanos (PNH) e mosquitos silvestres, não pode ser eliminada. O controle foca na vacinação humana e vigilância das epizootias.

Contexto Educacional

A febre amarela é uma doença viral aguda, febril e hemorrágica, transmitida por mosquitos. Existem dois ciclos epidemiológicos: o urbano, transmitido pelo Aedes aegypti, e o silvestre, transmitido por mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que infectam primatas não humanos (PNH) e, ocasionalmente, humanos que adentram áreas de mata. A ocorrência de epizootias em PNH é um sinal de alerta crucial para a saúde pública, indicando o risco de transmissão para humanos. No ciclo silvestre, os PNH atuam como hospedeiros amplificadores do vírus, e a densidade de vetores e a população de macacos suscetíveis influenciam a dinâmica da transmissão. Humanos são infectados quando expostos a esses mosquitos em ambientes silvestres, desenvolvendo a febre amarela silvestre. A doença pode variar de formas leves a graves, com alta letalidade nas formas mais severas. Diferentemente da febre amarela urbana, que foi eliminada no Brasil através do controle do Aedes aegypti e vacinação, a febre amarela silvestre, por ser uma zoonose com um reservatório natural em PNH e vetores silvestres, não é passível de eliminação. As estratégias de controle focam na vacinação em massa das populações em áreas de risco e na vigilância ativa de epizootias para antecipar e conter surtos em humanos.

Perguntas Frequentes

Qual o papel dos primatas não humanos (PNH) no ciclo da febre amarela silvestre?

Os PNH atuam como hospedeiros amplificadores do vírus da febre amarela no ciclo silvestre. A ocorrência de epizootias (doença em animais) em PNH serve como um importante evento sentinela para a vigilância epidemiológica, indicando risco de transmissão para humanos.

Por que a febre amarela silvestre não pode ser eliminada?

A febre amarela silvestre não pode ser eliminada porque o vírus circula naturalmente em um ciclo enzoótico envolvendo primatas não humanos e mosquitos silvestres (Haemagogus e Sabethes), que são reservatórios e vetores de difícil controle, tornando a erradicação inviável.

Como os humanos são infectados pela febre amarela silvestre e quais as medidas de prevenção?

Humanos são infectados esporadicamente ao adentrar áreas de mata onde o vírus está circulando, sendo picados por mosquitos silvestres infectados. A principal medida de prevenção é a vacinação das populações em áreas de risco e a vigilância epidemiológica.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo