INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um homem de 52 anos é atendido em uma unidade básica de saúde de uma área periférica de um município de médio porte. Há 4 dias, vem apresentando quadro de febre, calafrios, dores musculares e náuseas. No dia anterior à consulta, apresentou melhora dos sintomas, porém, há 12 horas, refere recrudescimento da febre, que chegou a 39,5 °C, acompanhada por náuseas, vômitos, diarreia, icterícia e por dois episódios de epistaxe. A esposa refere que ele tem o hábito de alimentar macacos em uma mata perto da residência e que, nas últimas semanas, alguns haviam aparecido mortos. A vigilância epidemiológica havia divulgado informe de ocorrência de epizootia em primatas não humanos na região. O médico, diante disso, solicita a internação do paciente para investigação por suspeita de febre amarela. Com base nessas informações, é correto afirmar que, para conduzir a investigação epidemiológica de maneira adequada, deve-se realizar a notificação imediata de caso
Febre amarela silvestre → notificação imediata, pesquisar IgM ELISA > 7º dia em não vacinados.
A febre amarela silvestre é uma doença de notificação imediata, especialmente em casos suspeitos com histórico de exposição em áreas de epizootia em primatas não humanos. O diagnóstico laboratorial envolve a pesquisa de anticorpos IgM por ELISA a partir do 7º dia do início dos sintomas, sendo crucial considerar o status vacinal do paciente para interpretação.
A febre amarela é uma doença viral aguda, febril e hemorrágica, transmitida por mosquitos. No Brasil, a forma silvestre é a mais comum, com o vírus circulando entre primatas não humanos e mosquitos silvestres (Haemagogus e Sabethes). A doença apresenta duas fases: uma inicial com sintomas inespecíficos (febre, mialgia, cefaleia) e uma fase tóxica, que ocorre em cerca de 15% dos casos, caracterizada por icterícia, manifestações hemorrágicas (epistaxe, melena) e disfunção orgânica. A vigilância epidemiológica da febre amarela é de extrema importância, e a notificação de casos suspeitos é imediata. A ocorrência de epizootias em primatas não humanos serve como um alerta para a circulação viral na região, indicando risco para humanos. O diagnóstico laboratorial é crucial, sendo a pesquisa de anticorpos IgM por ELISA um dos métodos mais utilizados, com positividade a partir do 7º dia do início dos sintomas. Em pacientes vacinados, a interpretação dos resultados pode ser mais complexa, exigindo testes adicionais como o PRNT (teste de neutralização por redução de placas). A conduta diante de um caso suspeito inclui internação para suporte clínico e investigação. A vacinação é a principal medida preventiva e deve ser oferecida a todos os indivíduos que vivem ou viajam para áreas de risco. A diferenciação entre febre amarela silvestre e urbana é importante para a vigilância, sendo a silvestre a forma mais prevalente no Brasil atualmente, sem casos de febre amarela urbana desde 1942.
A suspeita ocorre em pacientes com febre aguda, icterícia, manifestações hemorrágicas (como epistaxe) e histórico de exposição em áreas de mata ou com relatos de epizootias em primatas não humanos. A doença tem uma fase de remissão seguida por recrudescimento dos sintomas.
A notificação imediata permite que as autoridades de saúde pública implementem rapidamente medidas de controle, como bloqueio vacinal e vigilância entomológica, para conter a disseminação do vírus e prevenir surtos.
A pesquisa de anticorpos IgM por ELISA é um método diagnóstico importante, especialmente em pacientes não vacinados. Eles geralmente se tornam detectáveis a partir do 7º dia do início dos sintomas e indicam infecção recente.
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