Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2019
Um paciente de 26 anos de idade procurou o pronto-socorro por quadro de febre alta, náuseas e dores pelo corpo há seis dias. Referia viagem em março de 2018 ao interior de São Paulo para realização de trilhas e visitas a cachoeiras. Ao exame, encontrava-se corado, hidratado, ictérico ++++/4, febril (38,0°C), com frequência cardíaca de 65 bpm, PA de 100 x 60 mmHg e FR de 22 irpm. Considerando essa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico provável.
Febre + icterícia + bradicardia relativa (Sinal de Faget) + viagem área endêmica → Febre Amarela.
A Febre Amarela deve ser fortemente suspeitada em pacientes com febre, icterícia e bradicardia relativa (Sinal de Faget), especialmente se houver histórico de viagem para áreas endêmicas ou não vacinação. A icterícia intensa é um sinal de gravidade e diferencia de outras arboviroses.
A Febre Amarela é uma doença viral aguda, infecciosa, não contagiosa, transmitida por mosquitos e causada por um arbovírus do gênero Flavivirus. Apresenta-se em duas formas epidemiológicas: silvestre e urbana. É uma doença de notificação compulsória e de grande importância devido ao seu potencial de gravidade e letalidade, especialmente em surtos. A vacinação é a principal medida de prevenção. A patogênese da Febre Amarela envolve a replicação viral em linfonodos regionais, seguida de viremia e disseminação para órgãos como fígado, rins e coração. A infecção hepática leva à necrose hepatocelular, resultando em icterícia intensa (daí o nome 'amarela') e coagulopatia. A tríade clássica da fase tóxica inclui febre, icterícia e hemorragias. O Sinal de Faget, que é a bradicardia relativa (pulso lento apesar da febre alta), é um achado clínico importante e sugestivo. O diagnóstico é feito com base na clínica, epidemiologia (viagem para área de risco, não vacinação) e exames laboratoriais (sorologia IgM, PCR). O tratamento é de suporte, visando aliviar os sintomas e prevenir complicações. A vacinação é altamente eficaz e recomendada para pessoas que vivem ou viajam para áreas de risco.
Os sinais clínicos incluem febre alta, mialgia, náuseas, e em casos graves, icterícia intensa, hemorragias e bradicardia relativa (Sinal de Faget), onde a frequência cardíaca não acompanha a elevação da temperatura.
O histórico de viagem para áreas endêmicas ou de ocorrência de casos de Febre Amarela é crucial, pois a doença é transmitida por mosquitos presentes nessas regiões, como Aedes aegypti (urbana) e Haemagogus/Sabethes (silvestre).
A Febre Amarela pode ser diferenciada de outras arboviroses (Dengue) e leptospirose pela presença de icterícia proeminente e bradicardia relativa (Sinal de Faget), além de um curso mais fulminante em casos graves. Exames laboratoriais específicos confirmam o diagnóstico.
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