Febre Amarela: Epidemiologia e Letalidade Viral no Brasil

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2020

Enunciado

A tabela acima mostra a distribuição de casos autóctones de febre amarela no estado de São Paulo no primeiro semestre de 2019. Com base nesses dados, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O vírus que circula em Cachoeira Paulista, Juquiá, Serra Negra e Sete Barras é mais letal que o vírus que circula nas outras regiões.
  2. B) A região do Vale do Ribeira é uma das regiões do estado de São Paulo com ocorrência de febre amarela urbana.
  3. C) A letalidade do vírus da febre amarela nessa região segue a letalidade do vírus nas outras regiões do País.
  4. D) Só se pode afirmar que há febre amarela urbana na região do Vale do Ribeira se se observar primatas não humanos (PNH) dentro do perímetro urbano.
  5. E) o vírus no Vale do Ribeira está sendo transmitido pelo Aedes aegypti, pois essa região apresenta uma epidemia de febre amarela.

Pérola Clínica

Febre amarela silvestre e urbana possuem a mesma letalidade viral, diferenciando-se apenas pelo vetor de transmissão.

Resumo-Chave

A letalidade do vírus da febre amarela não varia significativamente entre as formas silvestre e urbana, sendo a principal diferença o vetor (mosquitos silvestres vs. Aedes aegypti) e o ciclo de transmissão. A virulência do vírus é intrínseca, não geográfica.

Contexto Educacional

A febre amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um arbovírus do gênero Flavivirus, transmitida por mosquitos. No Brasil, a doença é endêmica em áreas de floresta e sua epidemiologia é complexa, com ciclos de transmissão silvestre e, historicamente, urbano. A compreensão desses ciclos é crucial para a vigilância e controle da doença, especialmente em regiões como o estado de São Paulo, que registrou surtos recentes. A transmissão da febre amarela ocorre principalmente no ciclo silvestre, onde macacos são os principais hospedeiros e os mosquitos Haemagogus e Sabethes são os vetores. Humanos que adentram essas áreas podem ser picados e desenvolver a doença. O ciclo urbano, mediado pelo Aedes aegypti, é mais raro no Brasil desde a década de 1940, mas a presença do vetor em cidades mantém o risco. O diagnóstico é clínico-epidemiológico e laboratorial. A letalidade da febre amarela pode ser alta em casos graves, atingindo até 50% em pacientes com doença hemorrágica. No entanto, a virulência do vírus é intrínseca e não difere entre os ciclos silvestre e urbano. A prevenção é feita principalmente pela vacinação, que é altamente eficaz e recomendada para residentes e viajantes para áreas de risco. A vigilância de epizootias em primatas não humanos é um indicador importante da circulação viral.

Perguntas Frequentes

Quais são os ciclos de transmissão da febre amarela?

A febre amarela possui dois ciclos de transmissão: o silvestre, envolvendo primatas não humanos e mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, e o urbano, que tem o Aedes aegypti como vetor principal.

A letalidade da febre amarela varia entre as formas silvestre e urbana?

Não, a letalidade do vírus da febre amarela é a mesma, independentemente do ciclo de transmissão (silvestre ou urbano). A diferença está nos vetores e no ambiente.

Qual a importância dos primatas não humanos na epidemiologia da febre amarela?

Primatas não humanos (PNH) são hospedeiros e amplificadores do vírus no ciclo silvestre, servindo como sentinelas para a circulação viral antes de atingir humanos.

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