MedEvo Simulado — Prova 2026
Um homem de 35 anos, residente em zona rural de um município que recentemente registrou o encontro de três carcaças de primatas não humanos (PNH) em fragmentos de mata próximos a propriedades vizinhas, procura a Unidade Básica de Saúde. Ele apresenta febre alta de início súbito há 4 dias, cefaleia intensa, mialgia generalizada e dor lombar. Ao exame físico, o paciente encontra-se febril (38,9 °C), porém com frequência cardíaca de 62 bpm. Apresenta leve icterícia e hepatomegalia dolorosa a 2 cm do rebordo costal direito. O paciente relata não possuir cartão de vacinação e não se recorda de ter recebido doses prévias de imunizantes nos últimos 10 anos. Diante do cenário epidemiológico territorial e do quadro clínico apresentado, a conduta imediata mais adequada sob a ótica da Vigilância em Saúde é:
Febre + Icterícia + Bradicardia relativa (Faget) + Epizootia PNH = Febre Amarela.
Suspeita de Febre Amarela exige notificação imediata (24h) e ações de bloqueio vacinal/entomológico, especialmente diante de epizootias em primatas (sentinelas).
A Febre Amarela é uma doença infecciosa febril aguda, transmitida por mosquitos, com dois ciclos epidemiológicos: o silvestre (vetores Haemagogus e Sabethes) e o urbano (Aedes aegypti). O quadro clínico varia de formas leves a graves, com icterícia, insuficiência renal e hemorragias. O achado de hepatomegalia dolorosa e o Sinal de Faget em um paciente de zona rural com histórico de epizootia tornam a suspeita de Febre Amarela mandatória. Sob a ótica da Vigilância em Saúde, a resposta deve ser oportuna. A notificação compulsória deve ser feita em até 24 horas para casos suspeitos. A estratégia de bloqueio vacinal visa criar um cinturão de imunidade ao redor do foco, enquanto a investigação entomológica e a busca ativa de casos humanos sintomáticos permitem dimensionar a extensão da transmissão viral no território.
O Sinal de Faget é a dissociação pulso-temperatura, caracterizada por bradicardia relativa na presença de febre alta. É um achado clássico da Febre Amarela, auxiliando na diferenciação clínica de outras arboviroses como Dengue, onde a taquicardia é mais comum.
Primatas Não Humanos (PNH) atuam como sentinelas para a circulação do vírus da Febre Amarela em áreas silvestres. A morte desses animais (epizootia) precede frequentemente os casos humanos, permitindo que a vigilância adote medidas preventivas antes de um surto.
As ações incluem a notificação compulsória imediata, a vacinação de bloqueio (busca ativa de não vacinados na área), a investigação entomológica para identificar vetores (Haemagogus e Sabethes) e o manejo clínico rigoroso para evitar formas graves.
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