Febre Amarela: Manejo de Vigilância e Sinal de Faget

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Daniel, um biólogo de 28 anos, procura atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento com quadro de início súbito há três dias, caracterizado por febre alta, calafrios, cefaleia intensa e mialgia generalizada, com predomínio em região lombar. Ao exame físico, o paciente encontra-se prostrado, com icterícia leve (1+/4+) e bradicardia relativa em relação à temperatura febril (Sinal de Faget). Durante a anamnese, Daniel relata que estava realizando um levantamento de fauna em uma reserva florestal e que, há cerca de dez dias, encontrou o corpo de um macaco (primata não humano) em estado de decomposição próximo ao seu alojamento. O paciente não possui comprovante vacinal e não se recorda de ter recebido a vacina contra febre amarela nos últimos dez anos. Diante da suspeita clínica e do achado ambiental relatado, qual é a conduta imediata mais adequada sob a ótica da vigilância em saúde?

Alternativas

  1. A) Aguardar a confirmação laboratorial do caso humano para proceder com a notificação e a investigação da morte do primata.
  2. B) Notificar apenas o caso humano suspeito, uma vez que a vigilância de epizootias não faz parte das atribuições da atenção primária ou de urgência.
  3. C) Realizar a notificação compulsória imediata do caso humano suspeito e da epizootia à autoridade de saúde local.
  4. D) Realizar a notificação compulsória semanal do caso suspeito, visto que a confirmação depende de exames de biologia molecular.

Pérola Clínica

Febre + Icterícia + Sinal de Faget + Epizootia → Notificação Compulsória Imediata (Humano e PNH).

Resumo-Chave

A febre amarela exige notificação imediata diante de suspeita clínica e morte de primatas (sentinelas), visando ações rápidas de bloqueio vacinal e controle vetorial.

Contexto Educacional

A febre amarela é uma arbovirose febril aguda transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes no ciclo silvestre. O quadro clínico varia de formas oligossintomáticas a síndromes ictérico-hemorrágicas graves. O diagnóstico baseia-se na clínica, epidemiologia (exposição a áreas de mata) e histórico vacinal. A vigilância ativa de epizootias é o pilar da prevenção de surtos urbanos, identificando a circulação viral precocemente. No manejo clínico, a hidratação vigorosa e o suporte são fundamentais, evitando-se salicilatos pelo risco hemorrágico.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza o Sinal de Faget na Febre Amarela?

O Sinal de Faget é a dissociação pulso-temperatura, onde o paciente apresenta bradicardia relativa apesar da presença de febre alta. É um achado clássico, embora não patognomônico, de doenças como febre amarela e febre tifoide, indicando gravidade ou auxiliando no diagnóstico diferencial em quadros infecciosos agudos.

Por que a morte de macacos é relevante para a vigilância?

Os primatas não humanos (PNH) atuam como sentinelas para a circulação do vírus da febre amarela no ciclo silvestre. A ocorrência de uma epizootia (morte de macacos) precede frequentemente casos humanos, permitindo que as autoridades de saúde implementem medidas preventivas, como a vacinação de bloqueio, antes que o surto atinja a população humana.

Qual o prazo para notificação de casos suspeitos de Febre Amarela?

A febre amarela é uma doença de notificação compulsória imediata (em até 24 horas) para as autoridades de saúde locais. Isso se aplica tanto ao caso humano suspeito quanto à ocorrência de epizootias, devido ao alto potencial de disseminação e gravidade da doença, exigindo resposta rápida da vigilância epidemiológica.

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