SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Uma paciente de 65 anos de idade compareceu à consulta com queixa de polidipsia, polifagia, poliúria e perda ponderai de 5 kg nos últimos três meses. Queixa-se também de humor deprimido, anedonia e avolia. Tabagista, possui diagnósticos de hipertensão arterial sistêmica (HAS), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e depressão. Faz uso de amitriptilina 25 mg à noite, enalapril 10 mg, 2 vezes ao dia, hidroclorotiazida 25 mg, 1 vez ao dia e salbutamol inalatório sob demanda. Ao exame físico apresenta mancha hiperpigmentada em região de dobra cervical, aveludada à palpação. Observou-se PA =160 mmHg x 110 mmHg em ambos os membros superiores. Foi realizada medida de HGT, com resultado de 320 mg/dL. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.Fatores socioeconômicos podem acarretar risco significativo para hipertensão arterial, como, por exemplo, baixa renda familiar e menor escolaridade.
Baixa renda e menor escolaridade ↑ risco de HAS, refletindo desigualdades em saúde.
Fatores socioeconômicos como baixa renda e menor escolaridade estão fortemente associados a um maior risco de hipertensão arterial. Isso se deve a uma combinação de acesso limitado a serviços de saúde, menor conhecimento sobre hábitos saudáveis e maior exposição a estressores psicossociais.
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma condição crônica multifatorial, e seus determinantes vão além dos fatores biológicos e comportamentais individuais. Fatores socioeconômicos, como baixa renda familiar e menor escolaridade, são reconhecidos como importantes preditores de risco para o desenvolvimento e o controle inadequado da HAS. Essa relação complexa reflete as desigualdades em saúde e o impacto do ambiente social na saúde individual e coletiva. A influência dos fatores socioeconômicos na HAS pode ser explicada por diversos mecanismos. Indivíduos com menor renda e escolaridade tendem a ter acesso mais limitado a alimentos saudáveis, maior consumo de alimentos processados ricos em sódio e gorduras, menor oportunidade para atividade física e maior exposição a estressores psicossociais crônicos. Além disso, o acesso e a adesão a serviços de saúde, incluindo rastreamento, diagnóstico e tratamento da HAS, podem ser comprometidos. Para o manejo da HAS, é fundamental que o profissional de saúde considere o contexto socioeconômico do paciente. Isso implica em adaptar as orientações de estilo de vida, buscar soluções acessíveis para medicamentos e alimentação, e encaminhar para programas de suporte social quando necessário. A abordagem holística e a compreensão dos determinantes sociais são cruciais para um controle eficaz da doença e para a redução das iniquidades em saúde.
Os principais determinantes incluem renda, escolaridade, acesso a saneamento básico, moradia adequada, segurança alimentar, acesso a serviços de saúde e condições de trabalho, todos influenciando o estilo de vida e a exposição a fatores de risco.
A baixa renda pode limitar o acesso a alimentos saudáveis (dieta rica em sódio e gorduras), dificultar a prática de exercícios físicos (falta de segurança ou locais adequados) e restringir o acesso a cuidados de saúde preventivos e tratamento adequado.
Menor escolaridade frequentemente se associa a menor conhecimento sobre hábitos de vida saudáveis, menor adesão a tratamentos e menor capacidade de navegar no sistema de saúde, resultando em pior controle da pressão arterial e maior prevalência da doença.
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