PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2022
Paciente de 23 anos, primigesta, 30 semanas de gestação, sem intercorrência no pré-natal até o momento, é admitida na maternidade com cefaleia há 3 dias, que se intensificou nas últimas horas e agora é acompanhada de turvação visual. Refere ganho de peso de 3 Kg na última semana e inchaço nos pés, mãos e face. Ao exame a PA está 160 x 110 mmHg em DLE, edema de face e MMII 3+/4+, reflexo tendinoso exaltado. Altura de útero de 26 cm, escava ocupada pelo polo cefálico e dorso a esquerda, BCF = 142 bpm, tônus uterino normal, DU ausente, movimentação fetal presente e toque vaginal colo grosso, fechado e impérvio. Assinale a única alternativa abaixo que NÃO se constitui em fator de risco para esta situação clínica:
Pré-eclâmpsia: Hipertensão crônica, história familiar e aumento de massa trofoblástica são fatores de risco. Exposição seminal NÃO é risco.
A pré-eclâmpsia é uma condição grave da gestação com múltiplos fatores de risco bem estabelecidos, como hipertensão arterial crônica, história familiar da doença e gestações associadas a aumento da massa trofoblástica (ex: gestação múltipla, mola hidatiforme). A exposição ao esperma e líquido seminal, no entanto, não é considerada um fator de risco para pré-eclâmpsia; na verdade, algumas teorias sugerem um possível papel protetor ou neutro.
A pré-eclâmpsia é uma síndrome hipertensiva específica da gestação, caracterizada por hipertensão e proteinúria após a 20ª semana de gestação, podendo evoluir para formas graves com risco de vida materno-fetal. O reconhecimento dos fatores de risco é fundamental para a identificação precoce de gestantes de alto risco e para a implementação de medidas preventivas, como o uso de ácido acetilsalicílico em baixas doses. Entre os fatores de risco bem estabelecidos, destacam-se a hipertensão arterial crônica preexistente, história familiar de pré-eclâmpsia (especialmente em parentes de primeiro grau) e condições que resultam em aumento da massa trofoblástica, como gestações múltiplas ou doença trofoblástica gestacional (mola hidatiforme). Essas condições estão associadas a uma maior disfunção placentária e endotelial, que são a base fisiopatológica da pré-eclâmpsia. É importante desmistificar informações incorretas. A exposição excessiva ao esperma e líquido seminal não é um fator de risco para pré-eclâmpsia. Na verdade, algumas teorias imunológicas sugerem que a exposição prévia ao sêmen paterno poderia, em alguns casos, induzir tolerância imunológica e, potencialmente, reduzir o risco de pré-eclâmpsia, embora essa relação ainda seja objeto de estudo. Para residentes, é crucial basear o conhecimento em evidências científicas sólidas para um manejo adequado e seguro das gestantes.
Os principais fatores de risco para pré-eclâmpsia incluem hipertensão arterial crônica, história prévia de pré-eclâmpsia, história familiar de pré-eclâmpsia, gestação múltipla, doença renal crônica, diabetes mellitus, obesidade, idade materna avançada (>35 anos) ou muito jovem (<20 anos), e primiparidade.
Condições que aumentam a massa trofoblástica, como gestações múltiplas (gemelar, trigemelar) ou doença trofoblástica gestacional (ex: mola hidatiforme), aumentam significativamente o risco de pré-eclâmpsia. Isso ocorre devido a uma maior demanda placentária e disfunção endotelial mais pronunciada.
Sinais e sintomas de pré-eclâmpsia grave incluem pressão arterial ≥ 160/110 mmHg, cefaleia persistente, distúrbios visuais (turvação, escotomas), dor epigástrica ou em hipocôndrio direito, edema pulmonar, oligúria, plaquetopenia (<100.000/mm³), elevação de enzimas hepáticas e creatinina sérica.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo