USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Mulher, 47 anos de idade, foi submetida a laparotomia exploradora devido a obstrução intestinal por tumor no cólon direito. Foi realizada colectomia direita com ileostomia terminal. Tem diabete melito, hipertensão arterial não controlada e é tabagista. No 4º pós-operatório apresentou saída de líquido serohemático pela ferida operatória. Hoje, encontra-se no 7o pós-operatório e a imagem da ferida está representada pela imagem a seguir. Nesta paciente, quais são os fatores de risco para esta complicação?
Deiscência de ferida operatória: cirurgia de urgência, neoplasia e tabagismo são fatores de risco importantes.
A deiscência de ferida operatória é uma complicação grave. Fatores como a natureza da cirurgia (urgência), a condição subjacente do paciente (doença neoplásica) e comorbidades (tabagismo) comprometem a cicatrização e aumentam significativamente o risco.
A deiscência de ferida operatória, definida como a separação das bordas da incisão cirúrgica, é uma complicação grave que pode levar a morbidade significativa, prolongamento da internação e aumento dos custos hospitalares. Sua incidência varia, mas é mais comum em cirurgias abdominais. A compreensão dos fatores de risco é crucial para a prevenção e o manejo adequado. Os fatores de risco para deiscência são multifatoriais, abrangendo aspectos relacionados ao paciente e ao procedimento cirúrgico. No caso apresentado, a cirurgia de urgência por obstrução intestinal, a presença de doença neoplásica e o tabagismo são contribuintes significativos. A urgência impede o preparo ideal do paciente, a neoplasia pode induzir um estado de desnutrição e imunossupressão, e o tabagismo compromete a oxigenação tecidual e a função dos fibroblastos, essenciais para a cicatrização. Outras comorbidades como diabetes mellitus e hipertensão arterial também são fatores de risco, mas a combinação de cirurgia de urgência, doença neoplásica e tabagismo representa um cenário de alto risco para complicações da ferida. A prevenção envolve otimização pré-operatória (quando possível), técnica cirúrgica meticulosa, controle de infecção e suporte nutricional adequado. O reconhecimento precoce da deiscência, muitas vezes manifestada por saída de líquido serohemático, permite intervenção rápida para evitar complicações maiores como evisceração.
Os fatores de risco para deiscência de ferida operatória podem ser relacionados ao paciente (idade avançada, obesidade, desnutrição, diabetes, tabagismo, doença neoplásica, uso de corticoides) ou à cirurgia (urgência, contaminação, técnica inadequada, infecção, tensão excessiva na sutura).
O tabagismo compromete a cicatrização por causar vasoconstrição, hipóxia tecidual e diminuir a função dos fibroblastos. A doença neoplásica, por sua vez, pode levar a um estado catabólico, desnutrição e imunossupressão, todos fatores que prejudicam a reparação tecidual e aumentam o risco de deiscência.
Cirurgias de urgência frequentemente ocorrem em pacientes sem preparo pré-operatório adequado (otimização nutricional, controle de comorbidades), em condições clínicas mais instáveis e, por vezes, com maior contaminação intraoperatória, todos fatores que contribuem para um risco elevado de deiscência e outras complicações.
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