Infecção Cirúrgica: Fatores de Risco Essenciais

FHSTE - Fundação Hospitalar Santa Terezinha de Erechim (RS) — Prova 2022

Enunciado

Infecção cirúrgica inclui infecção que acomete o paciente cirúrgico. A respeito do assunto, considere as seguintes afirmativas:I. Idade acima de 65 anos é considerado fator de riscoII. Hiperglicemia prejudica a imunidade celular do paciente cirúrgico III. Transfusão sanguínea está associada a aumento da imunidade contra infecções IV. Hipotermia é considerada um mecanismo de proteção contra infecção cirúrgicaAssinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) Somente a afirmativa II é verdadeira
  2. B) Somente as afirmativas I e II são verdadeiras
  3. C) Somente as afirmativas III e IV são verdadeiras
  4. D) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras

Pérola Clínica

Idade >65 e hiperglicemia ↑ risco de infecção cirúrgica; transfusão e hipotermia ↓ imunidade, ↑ risco.

Resumo-Chave

A idade avançada (>65 anos) e a hiperglicemia são fatores de risco bem estabelecidos para infecções do sítio cirúrgico, pois comprometem a resposta imune e a cicatrização. Além disso, a transfusão sanguínea e a hipotermia intraoperatória são fatores que prejudicam a imunidade do paciente, aumentando a suscetibilidade a infecções, e não o contrário.

Contexto Educacional

As infecções do sítio cirúrgico (ISC) representam uma das complicações mais comuns e onerosas na prática cirúrgica, impactando significativamente a morbidade, mortalidade e os custos de saúde. A compreensão dos fatores de risco é fundamental para a implementação de estratégias de prevenção eficazes. Diversos fatores relacionados ao paciente e ao procedimento podem aumentar a suscetibilidade a essas infecções, e o reconhecimento desses elementos é uma competência essencial para residentes. Entre os fatores de risco relacionados ao paciente, a idade acima de 65 anos é um contribuinte significativo devido à imunossenescência e à maior prevalência de comorbidades. A hiperglicemia, mesmo em pacientes não diabéticos, é um fator crítico, pois níveis elevados de glicose prejudicam a função imunológica celular (neutrófilos e macrófagos) e a cicatrização de feridas, criando um ambiente propício para a proliferação bacteriana. O controle glicêmico rigoroso é, portanto, uma medida preventiva importante. Outros fatores importantes incluem a transfusão sanguínea e a hipotermia. Contrariamente ao que se poderia pensar, a transfusão sanguínea está associada a um aumento do risco de infecções, devido a efeitos imunomoduladores que podem levar à imunossupressão. Da mesma forma, a hipotermia intraoperatória (temperatura central < 36°C) compromete a função imune, a coagulação e a oxigenação tecidual, elevando o risco de ISC. Portanto, a manutenção da normotermia e a restrição de transfusões desnecessárias são pilares na prevenção de infecções cirúrgicas, destacando a importância de uma abordagem multifacetada para a segurança do paciente cirúrgico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para infecção do sítio cirúrgico?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada (>65 anos), hiperglicemia, obesidade, desnutrição, tabagismo, comorbidades (diabetes, imunossupressão), duração da cirurgia, tipo de cirurgia (contaminada), transfusão sanguínea e hipotermia intraoperatória.

Como a hiperglicemia afeta a imunidade e o risco de infecção cirúrgica?

A hiperglicemia prejudica a função dos neutrófilos e macrófagos, diminui a quimiotaxia e a fagocitose, e compromete a cicatrização de feridas. Isso resulta em uma resposta imune deficiente, aumentando significativamente o risco de infecções pós-operatórias.

Por que a hipotermia e a transfusão sanguínea aumentam o risco de infecção?

A hipotermia intraoperatória causa vasoconstrição periférica, reduzindo a oxigenação tecidual e a entrega de células imunes ao local da incisão, além de prejudicar a função neutrofílica. A transfusão sanguínea está associada à imunomodulação e imunossupressão, aumentando a suscetibilidade a infecções.

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