PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2021
Janete tem 57 anos, é solteira, nuligesta, obesa (IMC = 32,1) e sedentária, menarca aos 10 anos e ainda tem suas menstruações regulares. É hipertensa e diabética, ambas as condições clínicas estão controladas com medicamentos (olmesartana, indapemida, empaglifozina e metiformina). Também apresenta hipotireoidismo, controlado com levotiroxina. Tem como antecedentes familiares: sua mãe que teve câncer de mama diagnosticado com 85 anos e sua irmã que igualmente é diabética e hipertensa. Ela percebeu caroço indolor em sua mama direita, após sofrer trauma local causado por queda da própria altura. Ao exame, durante a inspeção dinâmica observa-se retração de papila em mama direita; na palpação, a lesão é irregular, indolor, pouco móvel, com dimensões de 4,0 x 3,0cm, de consistência dura. Assinale a alternativa CORRETA em relação à condição clínica da Sra. Janete.
Nuligestação, menarca precoce, obesidade e menopausa tardia ↑ risco de câncer de mama.
A paciente apresenta múltiplos fatores de risco bem estabelecidos para câncer de mama, como nuliparidade, menarca precoce e obesidade. A idade (57 anos), embora não citada como 'menopausa tardia', é um fator de risco crescente. A história familiar de câncer de mama em mãe idosa também contribui, mas os fatores hormonais e metabólicos são mais proeminentes neste caso.
O câncer de mama é a neoplasia mais comum entre mulheres no Brasil e no mundo, excluindo os tumores de pele não melanoma, sendo uma das principais causas de mortalidade por câncer. A identificação e manejo dos fatores de risco são cruciais para a prevenção primária e secundária, impactando diretamente a saúde pública e a prática clínica do médico generalista e especialista. A fisiopatologia do câncer de mama está frequentemente ligada à exposição prolongada a estrogênios e outros fatores hormonais, bem como a influências genéticas e ambientais. Fatores como nuliparidade, menarca precoce e menopausa tardia aumentam o tempo de exposição hormonal. A obesidade, especialmente na pós-menopausa, eleva os níveis de estrogênio circulante devido à aromatização periférica no tecido adiposo. O diagnóstico precoce é fundamental, e a suspeita clínica deve ser levantada diante de achados como nódulos palpáveis com características de malignidade. A conduta inicial para pacientes com suspeita de câncer de mama envolve a tríplice avaliação (clínica, imagem e biópsia). A quimioprofilaxia com tamoxifeno é reservada para pacientes de muito alto risco, e não é uma indicação universal baseada apenas em múltiplos fatores de risco. O rastreamento mamográfico regular é a principal ferramenta de detecção precoce para a população geral.
Os principais fatores de risco incluem idade avançada, história familiar, mutações genéticas (BRCA1/2), nuliparidade, menarca precoce, menopausa tardia, obesidade, consumo de álcool e terapia hormonal.
A obesidade aumenta a produção de estrogênio em mulheres pós-menopausa, estimulando o crescimento de células mamárias. A nuliparidade expõe a mama a mais ciclos menstruais e estrogênio ao longo da vida, sem a diferenciação protetora da gravidez.
Nódulos malignos geralmente são irregulares, endurecidos, pouco móveis, indolores e podem estar associados a retrações de pele ou papila, assimetria mamária ou linfonodomegalia axilar.
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