INTO - Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (RJ) — Prova 2022
Dos cenários listados abaixo em qual observaríamos um maior retardo no processo de cicatrização de uma ferida:I- Paciente obeso grau IIIII- Paciente com HbAlc de 8,0°4 em uso de insulina NPH;III-Paciente com doença de Ménétrier e edema de membros inferiores;.IV-Tabagista de 80 maços ano que suspendeu tabagismo há duas semanas;V- Paciente com artrite reumatoide em uso de prednisona 10mg/dia há 5 anos
Múltiplos fatores sistêmicos (obesidade, diabetes, tabagismo, corticoide, desnutrição) podem retardar significativamente a cicatrização de feridas.
A cicatrização de feridas é um processo complexo que pode ser influenciado por diversos fatores sistêmicos e locais. Obesidade, diabetes mellitus mal controlado (HbA1c elevada), tabagismo (mesmo com interrupção recente), uso crônico de corticosteroides e condições que levam à hipoproteinemia e edema (como a doença de Ménétrier) são todos fatores que comprometem a resposta inflamatória, a proliferação celular e a síntese de colágeno, resultando em retardo significativo na cicatrização.
A cicatrização de feridas é um processo biológico complexo e dinâmico, envolvendo fases de inflamação, proliferação e remodelação. Diversos fatores podem interferir nesse processo, levando a um retardo significativo ou a uma cicatrização inadequada. A identificação e manejo desses fatores são cruciais para otimizar os resultados clínicos e prevenir complicações. Fatores sistêmicos como a obesidade (grau II), que compromete a vascularização e aumenta a tensão na ferida, e o diabetes mellitus descompensado (HbA1c de 8,0%), que causa microangiopatia e disfunção imune, são reconhecidos como grandes entraves à cicatrização. O tabagismo, mesmo que interrompido há poucas semanas, ainda exerce efeitos deletérios devido à vasoconstrição e à diminuição da oxigenação tecidual. O uso crônico de corticosteroides, como a prednisona 10mg/dia por 5 anos, suprime a resposta inflamatória e a síntese de colágeno, essenciais para a reparação tecidual. Além disso, condições que levam à hipoproteinemia e edema, como a doença de Ménétrier com edema de membros inferiores, também prejudicam a cicatrização. A hipoproteinemia afeta a síntese de colágeno e a função imune, enquanto o edema compromete a perfusão e a oxigenação local. Portanto, todos os cenários apresentados representam fatores que, isoladamente ou em conjunto, contribuem para um maior retardo no processo de cicatrização de uma ferida, exigindo uma abordagem multifatorial e otimização das condições do paciente.
A obesidade pode retardar a cicatrização devido à má vascularização do tecido adiposo, maior risco de infecção, tensão excessiva nas incisões, e alterações metabólicas e inflamatórias que comprometem a resposta imune e a síntese de colágeno.
O diabetes mellitus com controle glicêmico inadequado (HbA1c elevada) causa microangiopatia, neuropatia, disfunção imune e glicosilação de proteínas, resultando em perfusão tecidual deficiente, maior risco de infecção e comprometimento da formação de tecido de granulação e epitelização.
O tabagismo causa vasoconstrição, hipóxia tecidual e prejudica a função dos fibroblastos e macrófagos. Os corticosteroides, mesmo em doses baixas e uso crônico, suprimem a resposta inflamatória, inibem a síntese de colágeno e a proliferação celular, essenciais para a cicatrização.
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