PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025
É fator de risco para ocorrência de delirium:
Idade avançada, déficit cognitivo prévio e baixo nível educacional são fatores de risco predisponentes para Delirium.
O delirium é uma síndrome multifatorial resultante da interação entre a vulnerabilidade do paciente (fatores predisponentes) e insultos agudos (fatores precipitantes). O baixo nível educacional reflete uma menor reserva cognitiva, facilitando o quadro.
O delirium é uma síndrome neuropsiquiátrica aguda caracterizada por flutuação da consciência, desatenção e alteração cognitiva. É extremamente comum em idosos hospitalizados, associando-se a maior mortalidade, tempo de internação prolongado e declínio funcional permanente. A fisiopatologia é complexa, envolvendo neuroinflamação, estresse oxidativo e desequilíbrios de neurotransmissores, especialmente a deficiência colinérgica e o excesso dopaminérgico. Identificar os fatores de risco é o primeiro passo para o manejo adequado. Enquanto fatores como sexo feminino ou hipotireoidismo subclínico não são classicamente associados ao aumento do risco de delirium, o baixo nível educacional e o envelhecimento são marcadores fundamentais de fragilidade cerebral. O médico deve realizar uma avaliação geriátrica ampla para estratificar o risco de cada paciente e implementar protocolos de prevenção, uma vez que, após instalado, o tratamento do delirium é desafiador e muitas vezes focado apenas no controle de sintomas comportamentais graves.
O baixo nível educacional é considerado um fator de risco predisponente para o delirium porque está diretamente relacionado ao conceito de 'reserva cognitiva'. A reserva cognitiva refere-se à capacidade do cérebro de tolerar neuropatologias ou insultos agudos sem manifestar sintomas clínicos evidentes. Indivíduos com maior escolaridade tendem a desenvolver redes neurais mais complexas e resilientes. Portanto, pacientes com baixa escolaridade possuem uma reserva menor, tornando-se mais vulneráveis a desequilíbrios metabólicos, infecções ou estresse ambiental, manifestando o delirium com insultos de menor intensidade em comparação a indivíduos com alta reserva.
O delirium é melhor compreendido pelo modelo de vulnerabilidade-insulto. Os fatores predisponentes são características basais do paciente que o tornam vulnerável, como idade avançada (> 65 anos), demência prévia, deficiências sensoriais (visão/audição), desnutrição e baixo nível educacional. Já os fatores precipitantes são os insultos agudos que desencadeiam o quadro, como cirurgias, infecções (ITU, pneumonia), uso de drogas psicoativas (benzodiazepínicos, anticolinérgicos), dor intensa ou privação de sono. Um paciente altamente vulnerável pode desenvolver delirium com um pequeno insulto (ex: mudança de quarto), enquanto um paciente hígido necessita de um insulto grave (ex: sepse).
A prevenção do delirium baseia-se em intervenções multicomponentes não farmacológicas, que demonstraram ser mais eficazes do que o uso de medicamentos. As estratégias incluem: reorientação frequente (calendários, relógios), promoção de higiene do sono (evitar ruídos e luz à noite), mobilização precoce, garantia do uso de próteses auditivas e óculos, hidratação adequada e revisão rigorosa da polifarmácia para evitar drogas deliriogênicas. O envolvimento da família e a manutenção de um ambiente familiar também são cruciais. Essas medidas visam reduzir a carga de fatores precipitantes em pacientes que já possuem fatores predisponentes conhecidos.
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