Papel do VEGF e Anti-VEGF na Patologia Retiniana

CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2013

Enunciado

Assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O bevacizumabe aumenta a disponibilidade do fator de crescimento do endotélio vascular (VEGF).
  2. B) A molécula do bevacizumabe tem peso molecular cerca de dez vezes menor do que a do ranibizumabe, facilitando sua penetração no espaço sub-retiniano.
  3. C) A meia-vida do ranibizumabe na aplicação intravítrea é de cerca de 60 dias.
  4. D) O fator de crescimento do endotélio vascular (VEGF) também aumenta a permeabilidade vascular.

Pérola Clínica

VEGF = Vasculogênese + ↑ Permeabilidade vascular (fator de permeabilidade vascular).

Resumo-Chave

O VEGF não apenas estimula a formação de novos vasos (angiogênese), mas é um potente indutor da quebra da barreira hematorretiniana, aumentando a permeabilidade vascular e causando edema.

Contexto Educacional

O Fator de Crescimento Endotelial Vascular (VEGF) é a molécula central na patogênese de doenças como a Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI) exsudativa, Retinopatia Diabética e Oclusões Venosas da Retina. Ele atua através de receptores tirosina-quinase (VEGFR-1 e VEGFR-2) expressos nas células endoteliais. Sua principal isoforma patológica é o VEGF-A. Os fármacos anti-VEGF revolucionaram a oftalmologia. O Bevacizumabe é usado 'off-label' devido ao seu baixo custo, enquanto o Ranibizumabe e o Aflibercept foram desenvolvidos especificamente para uso intraocular. Além de inibir a neovascularização sub-retiniana e intra-retiniana, esses medicamentos são fundamentais para reduzir o edema macular, justamente por bloquearem o efeito do VEGF na permeabilidade vascular, restaurando a integridade da barreira hematorretiniana.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre VEGF e edema macular?

O VEGF foi originalmente descoberto como 'Fator de Permeabilidade Vascular' (VPF). Ele promove a fosforilação de proteínas de junção apertada (tight junctions) nas células endoteliais, levando ao seu desarranjo. Isso resulta em um aumento maciço da permeabilidade vascular, permitindo o extravasamento de fluido e proteínas para o espaço intersticial da retina, resultando em edema macular, comum no diabetes e na oclusão venosa.

Quais as diferenças entre Bevacizumabe e Ranibizumabe?

O Bevacizumabe (Avastin) é um anticorpo monoclonal completo (149 kDa), enquanto o Ranibizumabe (Lucentis) é um fragmento de anticorpo (Fab) menor (48 kDa). Ao contrário do que se poderia pensar, o Ranibizumabe foi desenhado para ter uma penetração retiniana teoricamente melhor por ser menor, mas na prática clínica ambos são eficazes. O Bevacizumabe diminui a disponibilidade de VEGF livre ao se ligar a ele, e não o contrário.

Qual a meia-vida dos anti-VEGF intravítreos?

A meia-vida vítrea do Ranibizumabe em humanos é de aproximadamente 9 dias, e a do Bevacizumabe é de cerca de 10 dias. A alternativa que sugere 60 dias está incorreta. Devido a essa meia-vida curta, as aplicações intravítreas precisam ser repetidas em intervalos mensais ou bimestrais (regimes Treat-and-Extend ou Pro Re Nata) para manter o efeito terapêutico.

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