FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2019
O estudo intitulado “Coffee consumption and incidence of lung cancer in the NIHAARP Diet and Health Study”, publicado na revista International Journal of Epidemiology no ano de 2016, identificou que o consumo de café foi positivamente associado ao câncer de pulmão, embora a associação tenha sido substancialmente atenuada após ajuste para o hábito de fumar. A partir desse resultado, pode-se inferir que o hábito de fumar é considerado como:
Fator de confusão = variável associada à exposição e ao desfecho, mas não no caminho causal.
Um fator de confusão é uma variável que distorce a relação entre a exposição (consumo de café) e o desfecho (câncer de pulmão), estando associada a ambos, mas não sendo um elo na cadeia causal direta entre eles. O ajuste estatístico atenua essa distorção.
Em epidemiologia, a identificação e o controle de fatores de confusão são etapas cruciais para garantir a validade interna dos estudos, especialmente os observacionais. Um fator de confusão é uma variável que satisfaz três critérios: está associada à exposição, está associada ao desfecho independentemente da exposição, e não é um intermediário na via causal entre a exposição e o desfecho. No exemplo dado, o consumo de café foi associado ao câncer de pulmão. No entanto, o tabagismo é um conhecido fator de risco para câncer de pulmão e também pode estar associado ao consumo de café (fumantes podem consumir mais café). Quando o ajuste para o tabagismo atenuou a associação entre café e câncer, isso indica que o tabagismo estava "confundindo" a relação, fazendo com que o café parecesse mais prejudicial do que realmente era. Para residentes, compreender o conceito de fator de confusão é vital para a leitura crítica de artigos científicos e para a interpretação de resultados de pesquisa. A capacidade de identificar potenciais fatores de confusão e entender como eles são controlados (seja por randomização em ensaios clínicos, ou por métodos estatísticos em estudos observacionais) é fundamental para a prática baseada em evidências.
Um fator de confusão é uma variável que está associada tanto à exposição quanto ao desfecho de interesse, mas não faz parte da via causal direta entre eles, distorcendo a verdadeira associação observada.
Ele pode criar uma associação espúria ou mascarar uma associação real, levando a conclusões incorretas se não for identificado e ajustado adequadamente na análise estatística.
O controle pode ser feito no desenho do estudo (randomização, restrição, pareamento) ou na análise estatística (estratificação, regressão multivariada), como o ajuste para o hábito de fumar no exemplo.
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