USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Caso 10 Mulher, 33 anos, caiu do terceiro andar do prédio. No atendimento pré-hospitalar, encontrava-se inconsciente, com FC de 120 bpm e PAS de 100 mmHg. Foi realizada entubação orotraqueal e infusão de 1.000 mL de cristaloide e ácido tranexâmico. Na admissão no Serviço de Emergência encontrava-se:I. Entubada, saturação de O₂: 97%;II. MV presente e expansibilidade simétrica;III. FC 130 bpm, PA: 80x50 mmHg;IV. exame da bacia com sinais de instabilidade pélvica;V. realizado FAST que evidenciou presença de líquido livre em todos os quadrantes do abdome.VI. sedada; escala de Coma de Glasgow 3;VII. sem deformidades nos membros ou no dorso;VIII. toque retal sem alterações. Qual é a imagem do FAST esperada para esta paciente?
Trauma grave + instabilidade hemodinâmica + FAST positivo → hemorragia ativa e necessidade de intervenção rápida.
A presença de líquido livre em todos os quadrantes do abdome em um paciente politraumatizado com instabilidade hemodinâmica sugere hemorragia intra-abdominal significativa, requerendo avaliação e intervenção cirúrgica ou hemodinâmica urgente. O FAST é uma ferramenta crucial para triagem rápida nesses casos.
O Focused Assessment with Sonography for Trauma (FAST) é uma ferramenta diagnóstica rápida e não invasiva, essencial na avaliação inicial de pacientes vítimas de trauma. Ele permite a detecção de líquido livre (geralmente sangue) nas cavidades pericárdica e peritoneal, sendo fundamental para identificar hemorragias internas que podem levar à instabilidade hemodinâmica. Sua aplicação é crucial na triagem de pacientes politraumatizados, especialmente em ambientes de emergência. A presença de instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia) em um paciente traumatizado com FAST positivo para líquido livre em múltiplos quadrantes é um forte indicativo de hemorragia interna grave. Nesses casos, a prioridade é a ressuscitação volêmica e o controle da fonte do sangramento, que frequentemente exige intervenção cirúrgica imediata. A avaliação da bacia também é importante, pois fraturas pélvicas podem ser uma fonte significativa de hemorragia. A conduta no trauma segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), priorizando a avaliação primária e a estabilização do paciente. A infusão de cristaloides e o uso de ácido tranexâmico são medidas iniciais importantes para o manejo do choque hemorrágico. A identificação rápida da imagem do FAST com grande quantidade de líquido livre direciona a equipe para a necessidade de laparotomia exploradora ou outras intervenções para controle do sangramento.
O exame FAST avalia quatro janelas principais: subxifoide (pericárdio), hepatorrenal (espaço de Morison), esplenorrenal e pélvica (fundo de saco de Douglas), buscando líquido livre.
Em pacientes instáveis, o FAST é crucial para identificar rapidamente a presença de líquido livre (sangue) na cavidade abdominal ou pericárdica, indicando uma fonte de hemorragia que pode ser corrigida cirurgicamente.
O ácido tranexâmico é indicado em pacientes com trauma grave e sangramento significativo, especialmente se administrado nas primeiras 3 horas após a lesão, para reduzir a mortalidade por hemorragia.
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