FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2015
João Dias tem 72 anos de idade, sempre trabalhou na área da saúde como auxiliar de enfermagem, agora aposentado. Diz que “fazia de tudo", pois não havia profissionais capacitados naquela época. Conheceu muitos médicos, de várias especialidades e acumulou bastante conhecimento. Já vinha com desconforto epigástrico desde a juventude, chegou até a tratar de úlcera, mas o fato é que, com os problemas domésticos, suas dores vinham piorando nos últimos cinco anos. Usava Omeprazol, com melhora relativa. Havia um mês que as dores estavam diferentes, experimentou perda de peso de 5 quilos no período, também algum desconforto respiratório e dores na coluna. Procurou gastroenterologista que fez endoscopia com biópsia que constatou tumor gástrico. Em uma semana foi submetido à cirurgia: gastrectomia total com linfadenectomia. No pós-operatório, evoluiu com febres, náuseas e inapetência. Mantinha o desconforto respiratório. Mesmo fraco, ainda arriscava atravessar a rua e conversar com os amigos. Queria dirigir seu carro. Preocupado com a febre e sem vontade de ir ao hospital, como recomendado, solicitou ao Agente Comunitário a visita do Médico de Família. Ao observar seu estado, acamado e emagrecido, voz fraca, o médico lhe perguntou “seu João, o senhor reconhece o seu estado de saúde?”, seu João disse que sim, que tinha fé e que acreditava em Deus e em milagres e que tinha feito “um pacto com Deus”. Estava aguardando sua melhora, pois seu desejo era voltar a trabalhar. As fases da morte apresentadas por seu João são:
Fases de Kübler-Ross: negação ("não reconheço meu estado") e barganha ("pacto com Deus") são reações comuns à doença terminal.
As fases da morte de Kübler-Ross descrevem as reações emocionais de pacientes terminais. A negação é a recusa em aceitar a realidade da doença, enquanto a barganha envolve a tentativa de negociar com uma força superior ou com o destino por mais tempo ou cura.
A teoria das cinco fases da morte, proposta por Elisabeth Kübler-Ross, descreve as reações emocionais que pacientes terminais podem experimentar ao lidar com a proximidade da morte. Embora não sejam fases lineares e nem todos os pacientes passem por todas elas, ou na mesma ordem, elas oferecem um framework para entender o processo de luto e aceitação. As fases são: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. A negação é frequentemente a primeira reação, um mecanismo de defesa onde o indivíduo se recusa a aceitar a realidade da situação. No caso de Seu João, sua fala 'o senhor reconhece o seu estado de saúde?' e sua resposta de que 'tinha fé e acreditava em Deus e em milagres' reflete uma negação da gravidade de seu quadro. A barganha segue a negação, onde o paciente tenta negociar com uma entidade superior ou com o destino, buscando uma prorrogação da vida ou uma cura em troca de algo. O 'pacto com Deus' de Seu João e seu desejo de 'voltar a trabalhar' e 'dirigir seu carro' são claros exemplos da fase de barganha, onde ele tenta negociar com a divindade para reverter sua condição e retomar sua vida anterior. Compreender essas fases é crucial para profissionais de saúde que atuam em cuidados paliativos, permitindo uma comunicação mais empática e um suporte adequado ao paciente e sua família.
As cinco fases são: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Elas não são lineares e o paciente pode transitar entre elas ou experimentar várias simultaneamente.
A negação é uma defesa psicológica inicial onde o paciente se recusa a acreditar no diagnóstico ou na gravidade da doença, muitas vezes expressando frases como 'isso não pode estar acontecendo comigo' ou minimizando os sintomas.
Na fase de barganha, o paciente tenta negociar com uma força superior, com o médico ou com o destino, buscando mais tempo, uma cura milagrosa ou alívio dos sintomas, muitas vezes prometendo mudanças de comportamento em troca.
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