Cicatrização de Feridas: Entenda a Fase Proliferativa

Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Sobre o processo de cicatrização de feridas, assinale a correta.

Alternativas

  1. A) A fase proliferativa inicia-se no exato momento da lesão. O sangramento traz consigo plaquetas, hemácias e fibrina, selando as bordas da ferida, ainda sem valor mecânico, mas facilitando as trocas. O coágulo formado estabelece uma barreira impermeabilizante que protege da contaminação. Com a lesão tecidual, há liberação local de histamina, serotonina e bradicinina que causam vasodilatação e aumento de fluxo sanguíneo no local e, consequentemente, sinais inflamatórios como calor e rubor
  2. B) Segunda intenção: é o tipo de cicatrização que ocorre quando as bordas são apostas ou aproximadas, havendo perda mínima de tecido, ausência de infecção e mínimo edema. A formação de tecido de granulação não é visível.
  3. C) A diabetes melito auxilia na cicatrização de feridas em todos os estágios do processo. O paciente diabético com neuropatia associada e aterosclerose é propenso à reperfusão tecidual e tem menos risco de infecção.
  4. D) A fase proliferativa é composta de três eventos importantes que sucedem o período de maior atividade da fase inflamatória: neoangiogênese, fibroplasia e epitelização. Esta fase caracteriza-se pela formação do tecido de granulação, que é

Pérola Clínica

Fase proliferativa = neoangiogênese + fibroplasia + epitelização, formando tecido de granulação.

Resumo-Chave

A fase proliferativa da cicatrização de feridas é crucial e sucede a fase inflamatória. Ela é caracterizada pela formação do tecido de granulação, um processo que envolve a neoangiogênese (formação de novos vasos), fibroplasia (produção de colágeno por fibroblastos) e epitelização (migração e proliferação de células epiteliais para fechar a ferida).

Contexto Educacional

A cicatrização de feridas é um processo biológico complexo e dinâmico, essencial para a restauração da integridade tecidual após uma lesão. Este processo é dividido em fases sequenciais e sobrepostas: inflamatória (incluindo hemostasia), proliferativa e de remodelação. A compreensão detalhada de cada fase é crucial para o manejo adequado de feridas e para a identificação de fatores que podem comprometer a cicatrização. A fase inflamatória inicia-se imediatamente após a lesão, com a hemostasia (formação do coágulo) e a liberação de mediadores inflamatórios (histamina, serotonina, bradicinina) que causam vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e recrutamento de células inflamatórias. A fase proliferativa, que sucede a inflamatória, é caracterizada por três eventos principais: neoangiogênese (formação de novos vasos sanguíneos), fibroplasia (proliferação de fibroblastos e síntese de colágeno) e epitelização (migração e proliferação de queratinócitos para fechar a superfície da ferida). É nesta fase que se forma o tecido de granulação, um leito vascularizado e rico em fibroblastos. A cicatrização pode ocorrer por primeira, segunda ou terceira intenção. A segunda intenção ocorre em feridas com perda significativa de tecido ou infecção, onde as bordas não podem ser aproximadas, resultando em maior formação de tecido de granulação e cicatriz. Fatores sistêmicos como o diabetes mellitus impactam negativamente a cicatrização, comprometendo a resposta inflamatória, a angiogênese e a função celular, aumentando o risco de infecção e retardo na cicatrização. A fase de remodelação, a mais longa, envolve a reorganização do colágeno e o aumento da força tênsil da cicatriz.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais fases da cicatrização de feridas?

As principais fases são: inflamatória (ou hemostática), proliferativa e de remodelação (ou maturação). Cada fase tem eventos celulares e moleculares distintos que contribuem para o fechamento e fortalecimento da ferida.

O que é o tecido de granulação e qual sua importância?

O tecido de granulação é um tecido conjuntivo vascularizado, vermelho e granular, que preenche a ferida durante a fase proliferativa. Ele é composto por novos capilares (neoangiogênese), fibroblastos e matriz extracelular, sendo essencial para a reparação tecidual.

Como o diabetes mellitus afeta a cicatrização de feridas?

O diabetes mellitus prejudica a cicatrização em todas as fases, devido a fatores como neuropatia, vasculopatia (aterosclerose), imunossupressão (maior risco de infecção) e disfunção de fibroblastos, resultando em cicatrização lenta e complicações.

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