SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Acerca da cicatrização de feridas, a fase que começa com a chegada dos fibroblastos ao local da ferida no segundo ou terceiro dia após a lesão e que estes substituem a matriz inicial formada pela fibrina por tecido de granulação rico em colágeno é a
Fibroblastos + Colágeno + Granulação (2º-3º dia) = Fase de Proliferação.
A fase proliferativa é marcada pela fibroplasia e angiogênese, onde o coágulo de fibrina é substituído por tecido de granulação resistente.
A cicatrização de feridas é um processo dinâmico e complexo, tradicionalmente dividido em fases que se sobrepõem: hemostasia, inflamação, proliferação (ou granulação) e maturação (ou remodelamento). A fase de proliferação é crucial para a restauração da integridade estrutural do tecido. Nela, o recrutamento de fibroblastos é o evento central, permitindo a substituição do arcabouço provisório de fibrina por uma matriz de colágeno mais estável. O tecido de granulação formado é altamente vascularizado, o que explica sua fragilidade e tendência ao sangramento ao toque. Compreender essa cronologia é essencial para o manejo clínico de feridas agudas e crônicas, permitindo identificar atrasos na cicatrização que podem sugerir infecção, isquemia ou deficiências nutricionais.
A fase proliferativa, que ocorre geralmente entre o 3º e o 14º dia após a lesão, é composta por quatro subetapas fundamentais: reepitelização, fibroplasia, angiogênese e contração da ferida. Durante a fibroplasia, os fibroblastos migram para o leito da ferida e sintetizam colágeno tipo III (posteriormente substituído pelo tipo I) e proteoglicanos, formando a matriz extracelular. A angiogênese, estimulada por fatores como o VEGF, garante o suprimento de oxigênio e nutrientes necessários para a intensa atividade metabólica. O tecido resultante é o tecido de granulação, caracterizado por sua aparência avermelhada e granular devido aos novos capilares.
A fase inflamatória é a resposta imediata à lesão, durando cerca de 1 a 4 dias, caracterizada por hemostasia (plaquetas) e recrutamento de leucócitos (neutrófilos e macrófagos) para limpeza de debris e controle de patógenos. Já a fase proliferativa inicia-se por volta do 3º dia, sobrepondo-se à inflamatória. Enquanto a inflamação foca na 'limpeza', a proliferação foca na 'reconstrução'. A transição é mediada por macrófagos M2, que liberam citocinas como TGF-beta para atrair fibroblastos, iniciando a deposição de matriz e a formação do tecido de granulação.
Os miofibroblastos são fibroblastos diferenciados que expressam alfa-actina de músculo liso. Eles surgem principalmente no final da fase proliferativa e são os grandes responsáveis pela contração da ferida, aproximando as bordas da lesão e reduzindo a área de superfície que precisa ser reepitelizada. A persistência excessiva de miofibroblastos ou sua atividade descontrolada está associada a processos patológicos de cicatrização, como a formação de contraturas e cicatrizes hipertróficas, onde a tensão mecânica e citocinas como o TGF-beta mantêm essas células ativas.
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