MedEvo Simulado — Prova 2026
João Pedro, 34 anos, submetido a uma herniorrafia inguinal eletiva sem intercorrências. Durante o seguimento ambulatorial para acompanhamento da ferida operatória, o cirurgião registra a evolução cronológica do processo de reparo tecidual, conforme sistematizado na tabela abaixo: | Momento da Avaliação | Características Observadas na Ferida | |:--- |:--- | | 1º ao 3º Dia Pós-Operatório | Presença de coágulo de fibrina, infiltração de neutrófilos e macrófagos, com sinais flogísticos leves. | | 4º ao 14º Dia Pós-Operatório | Intensa atividade de fibroblastos, formação de novos vasos (angiogênese) e deposição de colágeno tipo III. | | 3ª Semana em diante | Remodelamento da matriz extracelular, substituição de colágeno e aumento progressivo da força tensil. | Considerando a fisiologia da cicatrização, a fase que caracteriza o intervalo entre o **4º e o 14º dia pós-operatório** é a:
4º ao 14º dia = Fase Proliferativa (Fibroblastos + Angiogênese + Colágeno III).
A fase proliferativa é o momento de reconstrução tecidual, onde o tecido de granulação é formado para preencher a ferida e restaurar a continuidade vascular.
A cicatrização é um processo biológico complexo e dinâmico, dividido didaticamente em fases que se sobrepõem: inflamatória, proliferativa e de maturação. A fase proliferativa, foco desta questão, é o período de 'construção' do novo tecido. Nela, ocorre a angiogênese (formação de novos vasos a partir dos pré-existentes), a fibroplasia e a reepitelização. O tecido resultante é o tecido de granulação, macroscopicamente avermelhado e brilhante devido à alta vascularização. Compreender essa cronologia é vital para o cirurgião, pois permite identificar desvios da normalidade, como deiscências, infecções ou cicatrização hipertrófica. Fatores como nutrição adequada, oxigenação tecidual e ausência de infecção são determinantes para que a transição entre essas fases ocorra de maneira eficiente e resulte em uma cicatriz funcional e estética.
A fase inflamatória ocorre imediatamente após a lesão, durando geralmente do 1º ao 4º dia. É subdividida em hemostasia (vasoconstrição inicial e cascata de coagulação) e inflamação propriamente dita. Há aumento da permeabilidade vascular e recrutamento de neutrófilos e macrófagos. Os macrófagos são as células-chave nesta fase, pois além de realizarem o debridamento autolítico, liberam citocinas e fatores de crescimento que sinalizam o início da próxima fase (proliferativa).
Os fibroblastos são as células protagonistas da fase proliferativa. Eles migram para o leito da ferida e sintetizam os componentes da matriz extracelular, principalmente o colágeno tipo III, proteoglicanos e fibronectina. Esse processo, chamado de fibroplasia, cria o arcabouço necessário para a migração celular e suporte estrutural. Alguns fibroblastos se diferenciam em miofibroblastos, que possuem propriedades contráteis responsáveis pela contração das bordas da ferida, reduzindo a área de superfície da lesão.
A fase de maturação ou remodelamento começa por volta da 3ª semana e pode durar meses ou anos. Caracteriza-se pela substituição progressiva do colágeno tipo III (mais fraco e desorganizado) pelo colágeno tipo I (mais resistente e organizado em feixes). Há uma redução da vascularização e da celularidade da cicatriz. É nesta fase que a força tensil da ferida aumenta gradualmente, chegando a cerca de 80% da força da pele original, mas nunca recuperando 100% da resistência prévia à lesão.
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