IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2026
Homem de 37 anos, previamente hígido, foi submetido há 10 dias a apendicectomia por via aberta (laparotomia). Relata que a ferida cirúrgica está fechada, sem dor intensa, secreção ou sinais inflamatórios exuberantes. Ao exame físico, observa se incisão limpa, com leve eritema ao redor e bordas firmes, sem flutuação, deiscências ou presença de secreção purulenta. Considerando o tempo pós-operatório e o processo normal de cicatrização, o estágio predominante da cicatrização da incisão cirúrgica nesse momento é:
4-14 dias pós-op = Fase Proliferativa → Fibroblastos, deposição de colágeno e formação de tecido de granulação.
Aos 10 dias de pós-operatório, a ferida encontra-se na fase proliferativa, caracterizada pela síntese intensa de colágeno e formação de novos vasos para restaurar a integridade tecidual.
A cicatrização de feridas é um processo biológico complexo dividido didaticamente em fases sobrepostas: inflamatória, proliferativa e de maturação. No contexto de uma ferida cirúrgica limpa (fechamento por primeira intenção), como a de uma apendicectomia após 10 dias, a fase proliferativa é a protagonista. Nela, os fibroblastos migram para a ferida e produzem uma matriz extracelular rica em colágeno tipo III e glicosaminoglicanos. A presença de bordas firmes ao toque, mencionada no enunciado, é um sinal clínico positivo conhecido como 'healing ridge' (cume de cicatrização), que indica a deposição adequada de colágeno. A ausência de secreção purulenta ou flutuação afasta complicações como abscessos de parede ou infecção do sítio cirúrgico, confirmando que o processo de reparo está seguindo sua cronologia fisiológica normal.
Esta fase, que ocorre aproximadamente entre o 4º e o 21º dia, é marcada por três processos principais: a fibroplasia (proliferação de fibroblastos e síntese de colágeno), a angiogênese (formação de novos vasos sanguíneos) e a epitelização. É o momento em que o tecido de granulação preenche a ferida e a resistência tênsil começa a aumentar significativamente.
A fase inflamatória é precoce (0-4 dias) e dominada por fenômenos vasculares e celulares (neutrófilos e macrófagos) para limpeza da ferida. A fase proliferativa (após o 4º dia) foca na reconstrução; clinicamente, a ferida apresenta bordas mais firmes devido ao colágeno, e o eritema inicial começa a ser substituído por um tecido de reparação mais organizado.
A fase de maturação começa por volta da terceira semana e pode durar meses ou anos. Nela, o colágeno tipo III (mais frágil) é substituído pelo colágeno tipo I (mais resistente), e as fibras se reorganizam ao longo das linhas de tensão, aumentando a força final da cicatriz, embora ela nunca recupere 100% da resistência original da pele.
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