Fase Latente do Parto: Diagnóstico e Manejo em Primigestas

Hospital Alemão Oswaldo Cruz (SP) — Prova 2024

Enunciado

Primigesta, 23 anos, 39 semanas de idade gestacional, sem comorbidades. Paciente procura pronto atendimento com história de dor abdominal tipo cólica há 6 horas. Refere perda vaginal de secreção mucosa amarelada há 1 dia. Na carteira de pré-natal nota-se infecção de urina por Streptococcus beta hemolítico com 12 semanas. Ao exame físico paciente apresenta abdômen inocente, dinâmica uterina com 1 contração a cada 10 minutos. Ao exame de toque colo médio, posterior, 1 cm, bolsa íntegra, apresentação cefálica. Em relação ao caso:

Alternativas

  1. A) Fase ativa de trabalho de parto; internação para pré-parto visto o antecedente de Streptococcus.
  2. B) Segundo período do parto, antibioticoterapia, cardiotocografia e internação.
  3. C) Pródromos de trabalho de parto, internação para antibiótico e vitalidade.
  4. D) Fase ativa do trabalho de parto, analgesia, reavaliação e internação se evolução.
  5. E) Fase latente de trabalho de parto; reavaliação em duas horas e alta se quadro mantido.

Pérola Clínica

Primigesta com colo 1 cm e contrações irregulares está em fase latente; GBS+ só exige ATB em trabalho de parto ativo ou RPM.

Resumo-Chave

A paciente apresenta pródromos ou fase latente do trabalho de parto, caracterizada por contrações irregulares e dilatação cervical < 6 cm. A profilaxia para Streptococcus beta hemolítico é indicada apenas no trabalho de parto ativo ou em caso de rotura de membranas, não sendo necessária a internação imediata na fase latente.

Contexto Educacional

O trabalho de parto é um processo fisiológico complexo dividido em fases, sendo a fase latente a etapa inicial, caracterizada por contrações uterinas irregulares e dilatação cervical lenta, geralmente até 5-6 cm. O reconhecimento correto desta fase é crucial para evitar intervenções desnecessárias e otimizar o manejo da gestante. A diferenciação entre pródromos e fase latente, e entre fase latente e fase ativa, é um desafio comum na prática obstétrica. Enquanto a fase ativa exige internação e monitoramento mais intensivo, a fase latente pode ser manejada de forma mais conservadora, muitas vezes com a gestante em casa, até que o trabalho de parto se estabeleça de forma mais efetiva. A presença de Streptococcus beta hemolítico (GBS) na gestação é um fator importante, pois pode causar infecção neonatal grave. Contudo, a profilaxia antibiótica intraparto para GBS é reservada para o trabalho de parto ativo ou rotura de membranas, visando maximizar a eficácia e minimizar a exposição desnecessária a antibióticos. O manejo adequado da fase latente, com reavaliação periódica, é fundamental para a segurança materno-fetal e para a otimização dos recursos hospitalares.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar a fase latente do trabalho de parto?

A fase latente é caracterizada por contrações uterinas irregulares e dolorosas, com dilatação cervical de até 5 cm (anteriormente 3 cm, mas diretrizes recentes sugerem 6 cm para fase ativa). O colo pode estar médio, posterior e com apagamento variável.

Quando a profilaxia para Streptococcus beta hemolítico é indicada no trabalho de parto?

A profilaxia antibiótica para GBS é indicada em gestantes colonizadas com GBS positivo durante o trabalho de parto ativo (dilatação ≥ 6 cm com contrações regulares) ou em caso de rotura prematura de membranas, independentemente da dilatação.

Qual a conduta inicial para uma primigesta em fase latente do trabalho de parto?

A conduta inicial é expectante, com reavaliação em algumas horas. A internação precoce na fase latente pode aumentar a taxa de intervenções e o tempo de internação sem benefício claro.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo