UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2024
Paciente gestante com 38 semanas de idade gestacional é atendida na emergência com queixa de cólicas fortes e contrações uterinas há 24 horas. Nega outras queixas. Ao exame físico apresenta altura uterina compatível com idade gestacional, sinais vitais estáveis, dinâmica uterina de 2 contrações a cada 10 minutos com intensidade fraca, batimentos cardíacos fetais de 144 e toque vaginal com colo médio, posterior e 2 centímetros de dilatação, apresentação fetal cefálica e bolsa íntegra. Qual a conduta a ser tomada?
Gestante com 38 semanas, colo 2cm e DU fraca está em fase latente; analgesia e reavaliação em 2h é a conduta inicial.
A paciente apresenta colo com 2 cm de dilatação e dinâmica uterina fraca, o que é compatível com a fase latente do trabalho de parto. Nesta fase, a conduta mais adequada é oferecer analgesia para conforto da paciente e reavaliá-la em algumas horas para observar a progressão do trabalho de parto, evitando internações desnecessárias e intervenções precoces.
A fase latente do trabalho de parto é um período que antecede a fase ativa, caracterizado por contrações uterinas que causam alguma modificação cervical, mas sem a progressão rápida observada na fase ativa. Tradicionalmente, é definida por dilatação cervical de até 3-4 cm, embora diretrizes mais recentes considerem até 5-6 cm. É um período de grande variabilidade individual e pode ser prolongado, gerando ansiedade e fadiga na gestante. O reconhecimento correto desta fase é crucial para evitar intervenções desnecessárias. Nesta fase, as contrações podem ser irregulares em frequência, intensidade e duração, e a dilatação cervical é lenta. A gestante pode apresentar cólicas e desconforto, mas ainda não está em trabalho de parto ativo. A avaliação do colo uterino (dilatação, esvaecimento, posição e consistência) e da dinâmica uterina são fundamentais para determinar a fase do trabalho de parto. A ausência de progressão rápida da dilatação, juntamente com contrações fracas, sugere fase latente. A conduta na fase latente visa o conforto materno e a observação da progressão. Oferecer analgesia (oral ou intravenosa, dependendo da intensidade da dor) e reavaliar a paciente em algumas horas (geralmente 2-4 horas) é a abordagem mais adequada. Isso permite que a paciente descanse e que o trabalho de parto progrida naturalmente, evitando internações precoces que podem levar a intervenções desnecessárias, como amniotomia ou ocitocina, antes do tempo ideal. A internação é reservada para a fase ativa do trabalho de parto.
A fase latente do trabalho de parto é caracterizada por contrações uterinas irregulares e menos intensas, com pouca ou nenhuma modificação cervical, geralmente até 3-5 cm de dilatação. É um período de preparação do colo uterino para a fase ativa.
A analgesia na fase latente é indicada para proporcionar conforto à gestante, reduzir a ansiedade e o estresse, e permitir que ela descanse. Isso pode otimizar a progressão do trabalho de parto e melhorar a experiência do parto, sem necessariamente acelerar ou retardar o processo.
A internação para assistência ao trabalho de parto é indicada quando a paciente entra na fase ativa, caracterizada por contrações regulares e intensas, com dilatação cervical progressiva (geralmente a partir de 5-6 cm). Antes disso, a conduta expectante com reavaliação é preferível.
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