Identificação da Fase Latente no Partograma: Guia Prático

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017

Enunciado

Uma mulher com 32 anos de idade, primigesta, na 38ª semana de gestação, deu entrada na maternidade com queixa de dores em baixo ventre e perda de líquido pela vagina, em grande quantidade, há cerca de uma hora. Ao exame físico, apresentava temperatura de 36,5 ºC, dinâmica uterina de uma contração de 30 segundos em 10 minutos, saída de líquido claro pelo orifício cervical externo do colo uterino, batimentos cardíacos fetais de 148 bpm, colo uterino pérvio para 3 cm e com esvaecimento de 40%. O resultado da cardiotocografia apresentou padrão tranquilizador. O exame de ultrassonografia realizado na sua admissão evidenciou feto único, com apresentação cefálica, índice de líquido amniótico = 7 cm, tônus fetal preservado, com movimentos respiratórios e corpóreos presentes. A imagem a seguir apresenta partograma com a evolução do quadro da parturiente nas primeiras 5 horas de internamento: As informações apresentadas indicam a ocorrência de:

Alternativas

  1. A) Fase latente do trabalho de parto.
  2. B) Parada secundária da dilatação.
  3. C) Parada secundária da descida.
  4. D) Parto taquitócico.

Pérola Clínica

Dilatação < 5-6cm + contrações esporádicas = Fase Latente.

Resumo-Chave

A fase latente do trabalho de parto envolve dilatação cervical lenta e contrações irregulares, não devendo ser confundida com distócias que só ocorrem na fase ativa.

Contexto Educacional

A fase latente é o período inicial do trabalho de parto onde ocorre o esvaecimento cervical e o início da dilatação. Segundo as evidências atuais (Zhang et al.), a fase ativa pode começar mais tardiamente do que os 4 cm propostos por Friedman. No caso clínico apresentado, a paciente tem apenas 3 cm de dilatação e uma dinâmica uterina pobre (1 contração em 10 minutos), o que caracteriza inequivocamente a fase latente. O reconhecimento correto desta fase evita a cascata de intervenções obstétricas desnecessárias, como a cesariana por 'falha de progressão' em uma paciente que sequer iniciou a fase ativa.

Perguntas Frequentes

Quando termina a fase latente e começa a fase ativa?

Tradicionalmente, a fase ativa começa quando a dilatação cervical atinge 4 a 6 cm, acompanhada de contrações rítmicas, intensas e frequentes (geralmente 3 em 10 minutos). Antes desse marco, com dilatação mínima e contrações irregulares, a paciente encontra-se na fase latente.

Como o partograma auxilia no diagnóstico da fase latente?

O partograma é uma representação gráfica da progressão do parto. Na fase latente, a curva de dilatação é quase horizontal ou tem uma inclinação muito suave. O registro oficial no partograma geralmente deve ser iniciado apenas quando a paciente entra na fase ativa para evitar intervenções desnecessárias.

Qual a conduta recomendada na fase latente prolongada?

A conduta na fase latente prolongada é preferencialmente expectante, com suporte emocional, deambulação e métodos não farmacológicos de alívio da dor. Intervenções como amniotomia ou ocitocina devem ser evitadas, pois a fase latente pode durar muitas horas sem representar risco fetal ou materno imediato.

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