Pós-Operatório: Fases Metabólicas e Resposta Endócrina

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023

Enunciado

Um senhor de 45 anos está no primeiro pós-operatório de gastrectomia total por uma lesão neoplásica, sem acometimento de outros órgãos. Durante a visita, encontra se sonolento, pouco atento ao meio externo. A sonda nasogástrica drenou 250 ml e possui apenas um débito de 800 ml na sonda vesical, com diurese concentrada. Com relação às fases do pós-operatório, podemos afirmar que este paciente encontra se em:

Alternativas

  1. A) Fase Anabólica e estas alterações acontecem em função da ação do Hormônio Antidiurético e Sistema Renina-Angiotensina
  2. B) Fase Catabólica e estas alterações acontecem em função da ação do Hormônio Antidiurético e Sistema Renina-Angiotensina
  3. C) Fase Catabólica e as alterações são decorrentes da ação do Cortisol e diminuição da concentração da Insulina
  4. D) Fase Anabólica e as alterações são decorrentes da ação do Cortisol e Aumento da concentração da Insulina

Pérola Clínica

PO imediato = Fase Catabólica, ↑ ADH e SRAA → retenção hídrica e diurese concentrada.

Resumo-Chave

No pós-operatório imediato, o paciente entra na fase catabólica devido ao estresse cirúrgico. Há ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e liberação de hormônio antidiurético (ADH), resultando em retenção de sódio e água, oligúria relativa e diurese concentrada, além de sonolência e pouca atenção.

Contexto Educacional

O período pós-operatório é uma fase complexa que envolve uma série de respostas fisiológicas e metabólicas ao estresse cirúrgico. Tradicionalmente, é dividido em fases: catabólica (ou de resposta aguda) e anabólica (ou de recuperação). O paciente do caso, no primeiro pós-operatório de uma cirurgia de grande porte como a gastrectomia total, encontra-se tipicamente na fase catabólica. Nesta fase, o organismo responde ao trauma cirúrgico com a liberação de hormônios do estresse, como cortisol, catecolaminas, glucagon, e citocinas inflamatórias. Além disso, há uma ativação significativa do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) e a secreção do hormônio antidiurético (ADH). Esses mecanismos visam manter a homeostase e a perfusão tecidual, resultando em retenção de sódio e água, o que se manifesta clinicamente por oligúria relativa e diurese concentrada, como observado no paciente. A sonolência e a pouca atenção também são comuns nesse período, refletindo o estado de estresse metabólico e a ação de mediadores inflamatórios. Para residentes, é crucial compreender essas respostas fisiológicas para realizar um manejo adequado de fluidos, eletrólitos e dor, prevenindo complicações e promovendo uma recuperação mais rápida do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais características da fase catabólica no pós-operatório?

A fase catabólica é marcada por aumento do catabolismo proteico e lipídico, balanço nitrogenado negativo, liberação de hormônios do estresse (cortisol, catecolaminas), ADH e ativação do SRAA, levando à retenção de sódio e água.

Como o Hormônio Antidiurético (ADH) e o Sistema Renina-Angiotensina (SRAA) atuam no pós-operatório?

O ADH aumenta a reabsorção de água nos túbulos renais, e o SRAA promove a reabsorção de sódio e água, ambos contribuindo para a retenção hídrica e a manutenção da volemia em resposta ao estresse cirúrgico.

Quais são as implicações clínicas da retenção hídrica no pós-operatório?

A retenção hídrica pode levar a edema, aumento de peso, oligúria relativa com diurese concentrada e, em casos de sobrecarga, a complicações pulmonares e cardiovasculares.

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