Trabalho de Parto Ativo e Profilaxia GBS: Conduta Essencial

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2022

Enunciado

Primigesta, 17 anos, IG 38 semanas e 4 dias, pré-natal sem intercorrências, procura atendimento em emergência obstétrica por contrações regulares e sangramento vaginal há 10 horas. Ao exame físico, apresenta sinais vitais estáveis, AU 34 cm, BCF 156 bpm, DU 3/10' com duração de 50"; exame especular com presença de secreção mucoide, sem sangramento ativo; TV colo fino, centrado, 6 cm, bolsa íntegra, cefálico, plano 0 de De Lee. Traz cartão da gestante com 8 consultas, tipagem sanguínea A positivo, sorologias negativas de terceiro trimestre, glicemia e teste de tolerância a glicose normais, urocultura com Streptococcus agalactiae (realizou tratamento adequado há 30 dias, sem urocultura após). Em relação ao caso descrito, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Paciente encontra-se em fase ativa do trabalho de parto. Está indicada a internação hospitalar com início imediato de penicilina.
  2. B) Deve-se realizar cesárea pelo risco de sepse neonatal precoce, já que não há urocultura após tratamento de infecção urinária.
  3. C) Trata-se de fase latente prolongada em gestante primigesta, sendo necessária a internação hospitalar imediata para indução do trabalho de parto com amniotomia.
  4. D) Paciente encontra-se em fase ativa do trabalho de parto. Está indicada a internação hospitalar com cardiotocografia contínua pela suspeita de restrição de crescimento fetal e risco de corioamnionite.

Pérola Clínica

Primigesta com 6 cm de dilatação está em fase ativa; GBS positivo prévio sem urocultura de controle = profilaxia com penicilina.

Resumo-Chave

Uma primigesta com 6 cm de dilatação cervical e contrações regulares está em fase ativa do trabalho de parto. A história de urocultura positiva para Streptococcus agalactiae (GBS) sem urocultura de controle após tratamento indica a necessidade de profilaxia intraparto com penicilina para prevenir sepse neonatal precoce.

Contexto Educacional

O manejo do trabalho de parto e a prevenção de infecções perinatais são pilares da assistência obstétrica. A correta identificação da fase ativa do trabalho de parto é crucial para a internação e o monitoramento adequado da gestante, evitando intervenções desnecessárias ou tardias. Em primigestas, a dilatação cervical de 6 cm ou mais, acompanhada de contrações eficazes, marca o início dessa fase. A profilaxia intraparto para Streptococcus agalactiae (GBS) é uma medida fundamental para prevenir a sepse neonatal precoce, uma condição grave com alta morbimortalidade. A presença de GBS na urina em qualquer momento da gestação, mesmo que tratada, exige profilaxia se não houver uma urocultura de controle negativa subsequente. A penicilina é o antibiótico de escolha, administrada em doses adequadas durante o trabalho de parto. É imperativo que residentes e profissionais de saúde estejam atualizados com as diretrizes para o manejo do trabalho de parto e a profilaxia de GBS. A avaliação completa do histórico da gestante, incluindo resultados de exames pré-natais, permite a tomada de decisões clínicas informadas, garantindo a segurança materno-fetal e otimizando os desfechos do parto.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para definir a fase ativa do trabalho de parto em primigestas?

Em primigestas, a fase ativa do trabalho de parto é definida por dilatação cervical de 6 cm ou mais, associada a contrações uterinas regulares e progressivas.

Quando é indicada a profilaxia intraparto para Streptococcus agalactiae (GBS)?

A profilaxia intraparto para GBS é indicada em casos de cultura positiva no terceiro trimestre, bacteriúria por GBS na gestação atual (mesmo tratada, se não houver urocultura de controle negativa), história de filho anterior com sepse por GBS, ou em trabalho de parto prematuro/ruptura prolongada de membranas com status de GBS desconhecido.

Qual o esquema de antibiótico recomendado para profilaxia de GBS?

O antibiótico de escolha para profilaxia de GBS é a penicilina cristalina, administrada intravenosamente a cada 4 horas até o parto. Em caso de alergia à penicilina, cefazolina ou clindamicina podem ser opções.

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