AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
As infecções necrotizantes de partes moles são infecções de pele e tecidos moles de rápida progressão associadas à necrose da derme, do tecido subcutâneo, fáscia superficial, fáscia profunda ou músculo. Em relação a este tema, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas: I. O desbridamento cirúrgico é a base do tratamento destas infecções necrotizantes, sendo que todo o tecido afetado deve ser excisado com pelo menos 1 cm de borda de tecido normal... PORTANTO II. Antibióticos de amplo espectro devem ser iniciados assim que há a suspeita do diagnóstico, administrando um agente de amplo espectro eficaz contra a maioria dos microrganismos gram positivos e gram-negativos, além de cobertura de S. aureus resistente à meticilina e anaeróbios.
Fascite necrotizante = Emergência cirúrgica imediata + Antibiótico de amplo espectro precoce.
O desbridamento cirúrgico é a intervenção primária e definitiva; a antibioticoterapia é um suporte obrigatório, mas secundário à remoção do tecido necrótico.
As infecções necrotizantes de partes moles (INPM) representam um espectro de doenças altamente letais, como a fascite necrotizante e a gangrena de Fournier. A fisiopatologia envolve trombose de microvasos e necrose tecidual rápida mediada por toxinas bacterianas. O diagnóstico é eminentemente clínico e a exploração cirúrgica não deve ser retardada por exames de imagem. O sucesso terapêutico depende da tríade: diagnóstico precoce, desbridamento agressivo e suporte intensivo com antibioticoterapia de largo espectro.
Diferente de ressecções oncológicas, o desbridamento em infecções necrotizantes foca na remoção de todo o tecido desvitalizado e infectado. A assertiva menciona 1 cm de borda normal, o que é uma prática comum para garantir que a fáscia remanescente esteja sadia e bem perfundida. O sinal clínico de fáscia que se separa facilmente do tecido subcutâneo (teste do dedo) indica a necessidade de extensão do desbridamento até encontrar tecido firmemente aderido e sangrante.
Embora ambos sejam essenciais, a necessidade de antibióticos não é a 'causa' ou 'justificativa' para a técnica cirúrgica. A cirurgia é necessária porque o tecido necrótico é avascular, impedindo que o antibiótico atinja o foco da infecção em concentrações terapêuticas. Portanto, são intervenções complementares e simultâneas, mas a lógica fisiopatológica da cirurgia (remoção de foco séptico e toxinas) é independente da lógica da antibioticoterapia (controle de bacteremia e disseminação).
A cobertura deve ser de amplo espectro (polimicrobiana). Deve incluir agentes contra Gram-positivos (incluindo MRSA em áreas de alta prevalência), Gram-negativos (incluindo Pseudomonas em certos contextos) e, crucialmente, anaeróbios. Esquemas comuns incluem Piperacilina-Tazobactam ou Carbapenêmicos associados a Vancomicina ou Linezolida, além de Clindamicina, que possui efeito antitoxínico em infecções por Streptococcus pyogenes.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo