Fasciíte Necrotizante: Diagnóstico e Manejo Urgente

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2020

Enunciado

Paciente masculino de 55 anos chega ao pronto atendimento com queixa importante de dor em tornozelo esquerdo com dois dias de evolução. Piora progressiva. História interrogada de diabetes sem uso de medicação ou controle clínico. Ao exame o paciente apresenta-se taquicárdico, hipotenso e febril, com edema tenso e doloroso no tornozelo, sem hiperemia. Realiza um raio X que demonstra infiltrado difuso e a presença de gás em partes moles. Em relação a este caso clínico, assinale a assertiva correta.

Alternativas

  1. A) Esta infecção é monomicrobiana e a cobertura antibiótica deve ser realizadaenvolvendo espectro para Gram negativos.
  2. B) A ausência de resposta ao uso de antiinflamatórios em 48 horas indica para o início deterapia antibiótica e imunossupressora.
  3. C) O tratamento consiste no uso de antibiótico com cobertura para Gram positivos,elevação do membro inferior e uso de calor local.
  4. D) O tratamento consiste no desbridamento cirúrgico amplo do tecido envolvidoassociado a cobertura precoce dos possíveis patógenos.
  5. E) O tratamento deve ser realizado com uso de antiinflamatórios não esteróides,colchicina e uma dieta com baixa quantidade de purinas.

Pérola Clínica

Fasciíte necrotizante: suspeitar em dor desproporcional, sinais sistêmicos e gás em partes moles; tratamento = desbridamento + ATB amplo.

Resumo-Chave

O caso descreve um quadro de fasciíte necrotizante, uma infecção grave e rapidamente progressiva das partes moles. A presença de sinais sistêmicos (taquicardia, hipotensão, febre) e gás em partes moles no raio X, especialmente em paciente diabético, indica urgência cirúrgica para desbridamento.

Contexto Educacional

A fasciíte necrotizante é uma infecção bacteriana grave e rapidamente progressiva que afeta a fáscia e os tecidos subcutâneos, levando à necrose tecidual. É uma emergência médica com alta morbimortalidade, especialmente em pacientes com comorbidades como diabetes mellitus, imunossupressão ou doença vascular periférica. O reconhecimento precoce é fundamental para um desfecho favorável. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado em sinais de toxicidade sistêmica, dor intensa e desproporcional à lesão cutânea inicial, edema tenso e, por vezes, crepitação. Exames de imagem, como radiografias ou tomografia, podem revelar gás nos tecidos moles. A infecção pode ser monomicrobiana (ex: Streptococcus pyogenes) ou polimicrobiana (comum em diabéticos, envolvendo Gram-positivos, Gram-negativos e anaeróbios). O tratamento é uma emergência cirúrgica e consiste no desbridamento cirúrgico amplo e agressivo de todo o tecido necrótico, que deve ser realizado o mais rápido possível. A antibioticoterapia empírica de amplo espectro deve ser iniciada imediatamente, cobrindo os patógenos mais prováveis, e ajustada após resultados de culturas. O suporte hemodinâmico e metabólico é igualmente crucial.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para fasciíte necrotizante?

Dor desproporcional ao exame físico, edema tenso, sinais de toxicidade sistêmica (febre, taquicardia, hipotensão) e, em casos avançados, bolhas, crepitação e necrose cutânea.

Qual é o tratamento primordial para a fasciíte necrotizante?

O tratamento consiste em desbridamento cirúrgico amplo e precoce do tecido necrótico, associado a antibióticos de amplo espectro que cubram germes Gram-positivos, Gram-negativos e anaeróbios.

Por que a presença de gás em partes moles é um achado importante na fasciíte necrotizante?

A presença de gás (crepitação ou visível em exames de imagem) sugere infecção por bactérias produtoras de gás, como Clostridium spp. ou enterobactérias, indicando uma infecção grave e rapidamente progressiva.

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